10 de jun de 2014

Cptec integra projeto para emitir alerta de risco de dengue as 12 cidades-sede da Copa

Áreas de risco podem ser demarcadas com até três meses de antecedência graças à aplicação de modelos matemáticos. 

Técnico do Cptec/Inpe em computador da instituição. Foto: Arquivo/OVALE

Por Wagner Matheus, Especial para O Vale (aqui).

Um trabalho científico produzido por várias instituições nacionais e do exterior — dentre elas o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de Cachoeira Paulista — servirá de alerta para torcedores brasileiros e estrangeiros durante a Copa do Mundo. O sistema alerta para riscos de casos de dengue em 553 microrregiões brasileiras, incluindo as 12 cidades que receberão os jogos da Copa. Natal, Fortaleza e Recife apresentam maior risco de epidemia.

Antecipação. Segundo o meteorologista e pesquisador na área de clima do Cptec/Inpe, Caio Coelho, a importância do estudo é incluir uma nova variável — o clima — nas previsões sobre áreas afetadas pela dengue, com a vantagem adicional de antecipar em três meses a demarcação das áreas de risco.
“Acrescentamos os estudos sobre chuvas e temperatura a diversas outras informações sobre a doença.”
O trabalho de gerar previsões para as 12 cidades onde serão realizados os jogos da Copa começou em fevereiro com a coleta de dados climáticos, que foram juntados aos relatórios de contagem de casos de dengue em março. A conclusão do trabalho ocorreu este mês.
A contribuição do Cptec/Inpe no projeto foi por meio das previsões climáticas sazonais de precipitação e temperatura para o período de março a maio.
As previsões fazem parte do projeto Eurobrisa, liderado pela instituição. “O trabalho classificou as cidades-sede com maior risco de uma epidemia de dengue durante a competição”, disse Coelho.

Processo. O sistema utiliza dados climáticos, já que chuvas e altas temperaturas produzem um efeito importante na transmissão da dengue em áreas propensas a epidemia, favorecendo a proliferação do mosquito transmissor e a disseminação do vírus da doença.
As previsões e alertas são produzidos a partir da combinação de dados climáticos associados a variáveis sociais e ambientais, processados em modelos matemáticos.

Publicação. Considerado inédito no país, o novo procedimento poderá ajudar outras áreas de incidência de dengue com previsões feitas com maior antecedência que os métodos atuais.
O ineditismo valeu a publicação de artigo sobre o trabalho na revista científica “The Lancet Infectious Diseases”, tendo o pesquisador Caio Coelho com um dos coautores.
O sistema de alerta foi desenvolvido por uma equipe internacional e multidisciplinar. Além do Cptec/Inpe, participaram as seguintes instituições: Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Ministério da Saúde, Universidade de Brasília, Instituto Catalão de Ciências Climáticas (Espanha), UK Met Office e Universidade de Exeter, (ambos da Inglaterra).
O pesquisador brasileiro explicou que a origem do trabalho ocorreu há alguns anos graças à iniciativa da doutora em meteorologia Rachel Lowe, inglesa que adotou o tema para o seu doutorado e, agora, liderou o estudo.
Uma fase das pesquisas da doutora Lowe foi realizada na sede do Cptec/Inpe.

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Opinião

O artigo completo pode ser acessado aqui. Uma pesquisa com foco no bem da população é digna de aplausos, com resultados práticos que esta sendo utilizado para a monitoria e ação de contorno deste mal que ainda nos afeta chamada dengue, uma doença oriunda de países em desenvolvimento com infraestruturas ainda precárias.



João M. A. da Silva
Data: 10/06/2014
Hora: 20h30
Momento: Isso sim que é gol do Brasil
criticasconstrutivas.blogspot.com

2 comentários:

Samira disse...

De fato João um projeto desses, caso expandido para uso além da Copa, é de grande valia em benefício da coletividade. Outros projetos também poderiam entrar nessa escala de prevenção, não só de doenças, como de tragédias com desastres naturais, sobretudo. Quem sabe um dia vejamos mais atitudes dessas na imprensa e colocadas em prática?
Ps: resolvi voltar a ativa. Espero que consiga exercer minha veia crítica (já que estava bem enferrujada... rsrsrs)
Abraços!
Samira

João M. A. da Silva disse...

Seja bem vinda por aqui... a prática da crítica construtiva é saudável e é bom exerce-la sempre que puder. Sobre os desastres naturais, temos uma equipe muito boa do pessoal do CEMADEN - Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais, segue o link http://www.cemaden.gov.br/.