21 de jan de 2012

Discursando o método: resenha do discurso do método de René Descartes

Título: Discurso do método
Autor: René Descartes
 Título original: Discours de la méthode
Tradução: Paulo Neves

Editora: L&PM Pocket

Edição: 1ª - vol. 458, 128 p.
Ano: 2008 (reimpressão)

René Descartes (wiki), 1596-1650, foi um filosofo, físico e matemático francês. Entre outras coisas, buscou em vida um método que pudesse aumentar gradualmente seu conhecimento, conduzido sempre pela razão. Saiu em busca do que chamou de “ciências das coisas”, conheceu vários lugares e analisou o comportamento humano, focando em sua intenção de distinguir o verdadeiro do falso. Sua, digamos, ‘receita de bolo’ para este novo horizonte é apresentado neste livro ‘Discurso sobre o método’.

Acreditava, por exemplo, que seria melhor se pudéssemos receber desde criança o uso completo da nossa razão ao invés dos ensinamentos e conselhos de nossos preceptores, pois para ele era fundamental desfazer de todas as opiniões acerca das coisas, para construir em nosso próprio espaço os pensamentos e conclusões. Podemos dizer que a influência às vezes nos deixa cego no sentido de análise para um senso mais crítico, pois se aprendemos (com ou sem filtro) desde cedo que ‘X’ é correto, teremos esta a nossa resposta para todo o sempre. Dividia portanto as pessoas em dois tipos: aqueles que duvidam e buscam respostas diferentes e aqueles que seguem a opinião da maioria, pois não sabem distinguir o verdadeiro do falso. É uma divisão radical mais não são poucas as pessoas que encontramos a margem de um bom senso crítico. 

Em certo momento faz um aviso interessante, no qual não podemos chamar ninguém de bárbaro ou selvagem, pois todos usam a mesma razão e se um mesmo homem tivesse vivido entre franceses e alemães, seria bem diferente se tivesse vivido entre canibais. Isto é um fim, pelo menos em palavras e analise lógica, para um princípio de racismo ainda muito inflamado em nossa sociedade.

Descarte quando começou seu empreendimento, de fato, não descartou todas as opiniões, seria inviável, para tanto, postulou uma ‘moral provisória’, que constituía de: a) obedecer às leis e costumes do país. E partindo das opiniões dos mais sensatos, retirando todo o excesso e prestando mais atenção na prática do que na fala deles. b) ser firme nas decisões e tomar uma, não andar em círculos; c) conhecer seus próprios limites e controlar seus próprios pensamentos.

Seu método final se divida em quatro etapas: 1) Não aceitar a verdade como absoluta sem antes passar pela razão; 2) Dividir os problemas complexos em partes menores; 3) Ordenar as soluções e conclusões; 4) Fazer revisões e autocríticas quantas forem necessárias.

René, ainda em sua obra, nos oferece um cardápio de exemplos e de aplicação de seu método, principalmente no campo da matemática, filosofia, metafísica e corpo humano.

Uma preposição clássica de Descartes é apresentada nesta obra: ‘Cogito, ergo sum’, ‘Penso, logo existo’, uma das primeiras conclusões do seu ‘pensamento livre’, o primeiro rabisco do seu novo ‘livro da vida’.

Em tempos em que somos bombardeados por toneladas de informações devemos olhar com senso crítico as informações que nos leva a alguma formação. Como exemplo, a inutilidade de um entretenimento ‘porco’, ‘banal’ e ‘baixo’ que as TV’s abertas nos oferecem como programas de reality shows, auditórios, novelas e fofocas, onde o objetivo é de atrair olhares para uma audiência e vender produtos, devem ser evitados.

Infelizmente a falta de debates de vários assuntos de forma livre e independente gera um vazio abismal para a formação de uma sociedade verdadeiramente consciente de seu papel em todo contexto social e humano. Como resultado, vimos uma população em que assiste notícias de corrupção, crimes, racismo, desigualdade de forma tão anestesiada que beira o nojo. E o mais grave, ao receberem informações sem o mínimo de senso crítico, o que eu chamo de filtro, as verdades passam a ser falsas e vice-versa e para aqueles que Descartes o classifica, apenas seguem.

Desculpem a demora da resenha e fico com mais essa de Descartes:

“Liberdade é a condição para a busca da verdade”


João M. A. da Silva
Data: 21/01/2012
Hora: 21h30
Momento: Pronto para a próxima
criticasconstrutivas.blogspot.com

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