28 de set de 2010

Comentando a tal “paulada na imprensa” de Eliane Cantanhede

Era para ser postado antes aqui no Blog mas acredito que ainda é valida.

Lendo a coluna de Eliane Cantanhede do dia 21 de setembro de 2010, no jornal Folha de SP, sob o título "Paulada na imprensa", referente à declaração do presidente Lula "Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública". Eu fiz uma leitura diferente da dela, porém antes deste assunto principal, gostaria de expor minha opinião quando ela escreve: "Tudo por que foi a imprensa livre que expôs aos brasileiros um centro de corrupção justamente na Casa Civil"

1.º Quando a autora se refere a "imprensa livre", na verdade esta se referindo ao Jornal "privado" Folha de São Paulo, presidido por Luiz Frias e como diretor editorial Otávio Frias Filho, ou ainda a revista Veja da Editora Abril, estou certo?

2.º A primeira observação que fiz acima tem que estar bem clara, pois estando um jornalista como qualquer outro funcionário de uma empresa ou indústria privada, recebendo (sendo financiado) para escrever (informar) a respeito de um fato, não podemos em nenhum lugar do mundo, considerar, por mais prazeroso que seja a atividade, que o tal jornalista esta escrevendo de forma totalmente livre. Visto que, assim como em qualquer empresa do mundo, existem regras, normas, metas e padrões que devemos seguir. Neste caso, apesar de poético, não podemos utilizar-se da palavra “livre", para caracterizar o tal jornalismo.

3.º Agora sejamos honestos e autocríticos, estou acompanhando a Folha desde o mês de agosto e é muito clara a forma (ou padrão/regra) sistêmica, principalmente nas manchetes (algumas até forçadas como reportou o ombudsman semanas atrás) em prol de “formar” uma imagem negativa da candidata do Lula.

4.º Acompanho desde aquela época (agosto), a opinião dos colunistas Cony, Barros e Silva, entre outros, comentando sobre as pesquisas, dizendo que precisaria aparecer urgentemente um “fato novo”, senão a candidata do Lula iria ganhar no primeiro turno disparado, passa-se uma semana, aparece (melhor reaparece) o primeiro caso: vazamento da receita, assunto antigo que foi esquentado para tentar ser o tal “fato novo”, como não surgiu efeito no eleitorado, li não me recordo com quem, que precisaríamos de mais um “fato novo” desta vez “mais forte” e uma semana depois, surge o filho da ministra da Casa Civil. E o mais estranho é que o primeiro caso (receita) caiu quase que no esquecimento total (como se nunca existisse), ainda mais quando se descobriu que havia mais de 3 mil declarações “vazadas” e esta era vendida a qualquer um.

5.º Penso que estas notícias, mal aprofundadas, coordenadas, esquentadas, estilo dossiê, que vão se soltando aos poucos e “mono criticas” a um candidato, leva ao leitor, e com razão, a pensar sobre a parcialidade do jornal Folha de SP, fazendo com que o termo utilizado pela autora: “imprensa livre”, gere alguns risos e descrédito.

Voltando a frase do presidente: "Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública", concordo com ela e se bem analisada é uma frase que nos lança a um pensamento de vanguarda. Fiz a seguinte leitura:

Vamos imaginar (e não é para ir longe) uma sociedade (Brasil) em que todos tenham acesso à informação (de esquerda ou direita, de cima ou de baixo) e que todos consigam entender e analisar esta informação (não precisa ser o método de Descartes, apenas educar a criança e o jovem desde cedo). Pergunto: esta sociedade precisaria de alguém para formar a nossa própria opinião? Para mim, não.

A outra parte "Nós somos a opinião pública" a leitura que fiz é sobre o povo, ou seja, nós realmente somos a opinião popular. Assim o conjunto da opinião individual do jornalista, pedreiro, engenheiro, médico, advogado, telefonista, atendente, senador, assessor, frentista, padeiro, técnico, governo, entre outros, formam a opinião pública como um todo. Portanto o tal “formador de opinião”, que por mais puro que seja, possui em muitos casos, vínculos que o exclui das características de um formador puro e livre e mesmo o sendo, como formula Stuart Mill, em seu ensaio sobre a liberdade (resenha), não seria o detentor da verdade, portanto não seria de fato necessário.

Finalizando pela conclusão da autora: "a verdade dói" e ela dói para todo mundo, a critica até as mais construtivas, no fundo no fundo, deixa para muitos um sentimento de frustração e pelo tom do texto, percebi uma magoa e revolta no qual me fez ficar preocupado:

A imprensa de hoje, principalmente as mais tradicionais, está preparada para receber críticas?


Em tempo

Nos últimos dias, esquentou a discussão Governo x Imprensa. Temos de um lado um governo que este envolvido com atos de corrupção e ao mesmo tempo com alto índice de aprovação. E de outro uma imprensa que ocupa a lacuna deixada pela fraca oposição partidária. Acho salutar o debate sobre o assunto, porém o vejo com incomodação, pois a discussão se dá na porta de uma eleição e com muitos excessos de ambas as partes. Criou-se então: O “Golpismo da imprensa”, por parte dos que defendem o governo e do outro lado a “censura a imprensa e a liberdade de expressão”.

Sumariamente, ambos não aceitam ser criticados, isto é um triste fim para o Policarpo Quaresma...



João M. A. da Silva
Data: 28/09/2010
Hora: 13h50
Momento: Imprensa x Governo
criticasconstrutivas.blogspot.com



[Este 'Post' também foi publicado no Observatório da Imprensa, leia aqui]

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