28 de dez de 2009

Em defesa do individuo e da sociedade livre: resenha "Ensaio sobre a liberdade" de John Stuart Mill

Título: Ensaio sobre a Liberdade
Título original: On Liberty
Autor: John Stuart Mill
Tradução: Rita de Cássia Gondim Neiva
Editora: Escala
Edição:
Ano: 2006

John Stuart Mill nasceu em Londres em 1806 e faleceu em 1873 na cidade de Avigon, França. Filosofo e economista inglês. (wiki aqui)

Neste livro um tanto complexo, principalmente lido por um leigo do assunto, encontro passagens que apesar do tempo são atuais e facilmente empregáveis hoje na sociedade e nos posiciona uma reflexão em torno da liberdade individual e coletiva.

Peço apenas atenção ao tempo em que o livro foi escrito. A influência da Igreja e os costumes da época, principalmente a inglesa.

O livro é divido em cinco partes: Introdução; Da liberdade de pensamento e discussão; A individualidade, com um dos elementos do bem-estar; Os limites na autoridade da sociedade sobre o indivíduo e Aplicações.

Nesta resenha, resolvi tirar algumas citações do livro e comentá-las em seguida, devido a riqueza das palavras de Mill.

"Se toda a humanidade menos um, fosse de uma determinada opinião, e apenas uma pessoa fosse de opinião contrária a humanidade não teria mais justificativas para silenciar aquela pessoa, do que ela, se tivesse o poder, de silenciar a humanidade".

John em vários momentos reforça a preocupação com o respeito das diferenças de pensamento, sendo assim, contesta muitas instituições ditas guardiãs da verdade absoluta, como exemplo a Igreja e o Estado. Porém em certos momentos deixa escapar que certas verdades, menos erradas, são necessárias para a proteção do bem estar comum.

"A completa liberdade de contradizer e desaprovar nossa opinião, é a condição perfeita que nos justifica em assumir sua verdade com objetivos de ação; e de forma alguma pode um ser com faculdades humanas ter qualquer certeza racional de estar certo".

Em relação à verdade absoluta, Mill questiona-se no sentindo de que toda opinião deve ser contestada com o objetivo de testá-la, mesmo assim após os questionamentos tal opinião não necessariamente será uma verdade absoluta.

"A real vantagem que a verdade possui, consiste nisso, que quando uma opinião é verdadeira, ela pode ser extinta uma, duas ou mais vezes, mas no curso das épocas serão encontradas pessoas para descobri-la novamente, até que alguma de suas reaparições recaia sobre um tempo em que, a partir das circunstâncias favoráveis ela escape da perseguição até que tenha amadurecido a ponto de resistir a todas as tentativas subseqüentes de suprimi-la".

Vários exemplos de conflitos de opiniões ao longo da história são citados por Mill, como o julgamento de Sócrates, Cristo, perseguição ao cristianismo, a reforma de Lutero, e outras, ilustram como a questão da discussão e divergências de opiniões podem causar na humanidade, que hoje sem dúvida esta mais tolerante as diferenças. Porém acredito ser causa fixa na formação humana como ser pensante a falta de tolerância e de respeito mútuo.

"A humanidade não é infalível; suas verdades, para a maior parte, são apenas meias verdades; a unidade de opinião, a menos que resultante da mais completa e mais livre comparação de opiniões opostas, não é desejável, e a diversidade não é um mal, mas um bem, até que a humanidade seja muito mais capaz de o que atualmente de reconhecer todos os lados da verdade; são princípios aplicáveis aos modos de ação dos homens, não menos do que às suas opiniões".

"Embora os costumes sejam tão bons como costumes, simplesmente como costumes, não educa ou desenvolve nele quaisquer das qualidades que são o dom distinto de um ser humano. As faculdades de percepção, julgamento, sentimento discriminativo, atividade moral, e até mesmo preferência moral, são exercidas apenas ao realizar uma escolha".

Nestas linhas percebemos a importância da individualidade. Quando fazemos algo por costume ou seguindo uma corrente de opinião, não estamos fazendo nenhuma escolha e muito menos enriquecendo a pratica e explorando o discernimento. Assim acredito que não devemos deixar que o mundo tome as nossas decisões, devemos então formular de forma crítica os próximos passos de nossas vidas.

"Provavelmente será admitido que é desejável que as pessoas exercitem seus conhecimentos, e que uma maneira inteligente de seguir o costume ou até mesmo ocasionalmente uma maneira inteligente de se afastar do costume, é melhor que uma adesão cega e simplesmente mecânica a ele".

Podemos resumir que do individualismo pensante surge o talento e neste floresce a originalidade.

A excentricidade é defendida, pois ela vem do talento e da originalidade, e isso é bom para a humanidade em si, apesar que o individuo sempre é julgado ou por fazer "o que ninguém faz" ou "não fazer o que todos fazem".

Interessante observar esta reflexão, sobre o governo e opinião pública:

"E o que ainda é uma grande novidade: a massa agora não retira suas opiniões dos dignitários na Igreja ou Estado, de líderes ostensivos ou de livros. Sua opinião é formada para eles por homens muito mais como eles próprios, e dirigindo-se a eles ou falando em seu nome, no impulso do momento, através de jornais".

Neste instante pensei nos telejornais que forrem a mente da "massa" antes de suas novelas e entretenimento diário do horário nobre. Na nossa sociedade devíamos perceber o tão nocivo é alimentar nossas opiniões com mensagens até subliminares de preferências políticas e ideológicas que são "vendidas" nos telejornais e depois para não pensarmos muito daquilo que nos foi remetido um entretenimento de baixa qualidade é apresentado para que a nossa mente descanse em paz.

Em “Os limites na autoridade da sociedade sobre o individuo”, a “ordem” é “não prejudicar os interesses um dos outros”.

Os seres humanos devem "uns ao outros ajuda para distinguir o melhor do pior, e encorajamento para escolher o primeiro e evitar o último".

A liberdade de práticas religiosas na sociedade frente a lei do estado, como exemplo John cita o judaísmo e seu descanso no sétimo dia e os mórmons, com o casamento poligâmico.

O último capítulo, “Aplicações” traz alguns “casos” reais de aplicação da liberdade e discussões sobre a interferência do estado na sociedade.

“A sociedade não admite nenhum direito, legal ou moral, dos competidores desapontados, à imunidade deste tipo de sofrimento; e é chamada a interferir, apenas quando os meios de sucesso que tenham sido empregados sejam contrários aos que os interesses gerais permitem - a saber, fraude ou deslealdade e força”.

Liberdade ao comercio, não pensando no vendedor e sim na liberdade do comprador (consumidor). Porém, respeitando o bem estar da sociedade e atenção a liberdade do próprio estado de estipular regras. Como taxação de venda de estimulantes, evitando que a sociedade adquira livre acesso a tais produtos, exemplo: venenos. Porém é desprezível a proibição total da venda, deixando a cargo da livre vontade do comprador.

A liberdade de um indivíduo em consciência plena de correr riscos, sendo avisados deles.

Liberdade do indivíduo total desde que não interfira na liberdade de outro ou na regra básica de boa conduta da sociedade e que não faça mal a ela.

Uma pessoa deveria ser livre para fazer como quiser em seus próprios interesses; mas não deve ser livre para fazer como quiser ao agir por um outro, sob o pretexto de que os assuntos do outro são seus próprios assuntos.

Assim John, fala sobre os direitos igualitários para as esposas, esta "deveriam ter os mesmos direitos e receberem a proteção da lei da mesma maneira como todas as outras pessoas".

Concluo com elogio a Liberdade de John Stuart Mill.

On Liberty!



João M. A. da Silva
Data: 28/12/2009
Hora: 23h00
Momento: Enfim, a resenha sobre Mill
criticasconstrutivas.blogspot.com

3 comentários:

Dinois, Daniel. disse...

Parabéns pela resenha, que está muito bem articulada.

Anônimo disse...

Curti!

Anônimo disse...

Curti