20 de nov de 2008

20 de novembro, dia da Consciência Negra - Entrevista com o Ministro Edson Santos

Todo dia 20 de novembro é a mesma coisa, especiais com negros na TV, reportagens sobre as condições do trânsito para o litoral (pois é feriado em algumas cidades) e alusões sobre o fim do racismo no Brasil.

Este ano a novidade ficou por conta de Barack Obama, primeiro presidente negro eleito nos EUA, que representa um ar de mudança no cenário mundial.

Tirando a superficialidade, a data continua sendo importante para a sociedade e principalmente para os negros e declarados como.

Abaixo reproduzo entrevista com Edson Santos, Ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, realizada pelo UOL Notícias (original aqui). Esta é uma voz importante do governo brasileiro a respeito desta questão.


UOL - O sr. acha que a questão do negro é pouco debatida pela sociedade em geral?
Edson Santos - Acho que é uma caminhada que exige muito diálogo, convencimento dos poderes públicos, da sociedade civil. Tivemos avanços bastante significativos, mas há uma demanda reprimida desde a abolição da escravidão. A questão do negro manteve-se invisível e intocável, o negro ficou sem acesso à terra pra trabalhar, à educação para seus filhos. Essa questão exige investimentos cujos resultados a gente vai visualizar ao longo de algumas gerações. Investimentos no ensino básico, na ampliação do número de escolas técnicas no Brasil, adoção da política de cotas, do Prouni (programa de concessão de bolsas de estudo para universitários), tudo isso vai dar oportunidade para que uma massa de jovens negros e pobres cheguem à universidade e ao curso técnico mais qualificada, e isso vai impactar a renda do negro positivamente.

UOL - Para o senhor, a política de cotas para afrodescendentes em universidades públicas (em vigor há cinco anos) está consolidada?
Santos - A universidade pública tem que ser pública. As universidades também ganham com a diversidade. O jovem de classe média que sai da universidade e vai passear num shopping, vai ao clube, vai a uma boate, convive com o jovem que vai precisar de um subsídio do Estado pra comprar o seu livro, comprar merenda e garantir seu transporte. Isso vai ser um impacto muito positivo na universidade. Essa convivência vai contribuir pra que se formem profissionais no Brasil nas mais diferentes esferas - engenharia, direito, medicina - com sensibilidade cada vez maior.

UOL - Pode-se pensar em um momento em que cotas não seriam mais necessárias?
Santos - Sim. Mas é preciso ter também outra visão do setor que emprega. A questão da mobilidade dentro das empresas, baseada na boa aparência, que são as características, os fenótipos europeus, que não devem ser parâmetro para a contratação nem para a promoção de uma pessoa que tem qualificação para ascender em uma empresa. Infelizmente, isso no Brasil ainda ocorre.

UOL - Como o senhor vê a representação política dos negros no Congresso Nacional?
Santos - A representação ainda não condiz com o peso da população negra na sociedade brasileira. Segundo a última pesquisa (2006) do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a população negra no Brasil chega a 49,5%, e a pesquisa aponta para que seja maioria em breve. No Congresso você não tem 10% de representantes negros, o que caracteriza uma sub-representação da população negra brasileira. Isso se deve a auto-estima baixa do nosso povo, que faz com que a população negra não vote no negro, não veja no seu irmão, no seu companheiro, uma pessoa capaz de representá-la no Congresso Nacional. Isso exige investimentos na área de educação, e ações como a adoção da Lei 10.639 (de 2003), que inclui aulas de história da cultura afro-brasileira nos currículos. Isso vai ajudar a acabar com o preconceito e mostrar que o negro é parte importante, fundamental, no processo de formação do Estado Brasileiro. Na medida em que estas idéias cheguem à cabeça das crianças, elas vão passar a se orgulhar de serem brasileiros, em primeiro lugar, e não vão ter vergonha da cor da sua pele.

UOL - Não seria necessário estabelecer o aumento desta representação por meio de "decreto", como, às vezes, se propõe?
Santos - Decreto não funciona, você tem que ganhar a cabeça das pessoas para que elas se sintam cidadãs no Brasil.

UOL - Que benefícios resultantes da eleição de Barack Obama nos Estados Unidos podem respingar no Brasil?
Santos - Um presidente negro nos Estados Unidos, que é a maior nação do mundo, chama a atenção de todos e tem impacto positivo, sim. Mostra que ao negro não está relegada a função apenas de ser o garçom, o porteiro, o gari, que há possibilidade de almejar uma qualificação maior na vida. Acho que é positivo até do ponto de vista da visibilidade do negro enquanto agente político.

UOL - Mas o contexto norte-americano não seria mais favorável a essa mudança, já que lá o preconceito é aberto? O fato de, no Brasil, o preconceito ser velado não atrasaria uma evolução sobre este tema?
Santos - Quando um cidadão se acomete de uma doença como depressão ou dependência química, ele só será tratado na medida em que tome consciência de que está doente. O Brasil tem o vício do racismo. Só trataremos deste vício na medida em que a sociedade assuma a existência do racismo e a necessidade de tratá-lo de forma adequada. Daí, a empresa vê que, se o cara é negro, mas é um bom profissional e é o mais adequado para desempenhar determinada função, por que não promovê-lo? Por que manter uma aversão à contratação de jovens negros e jovens que moram em comunidades carentes? Esses preconceitos precisam ser abolidos pra que nos tratemos efetivamente o racismo no Brasil.

Nos EUA, o preconceito era mais aberto; negro não podia andar em ônibus, entrar num bar (junto com o branco). No Brasil sempre, em tese, pôde, mas nunca pôde de verdade porque não tinha condição de fazê-lo. Este ano foi nomeado o primeiro ministro negro para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), Benedito Gonçalves. Temos também o ministro Joaquim Barbosa no STF (Supremo Tribunal Federal). Eles seriam símbolos brasileiros negros em cargos de destaque. O presidente Lula teve ousadia de, entre várias pessoas qualificadas para estarem no STJ, no Supremo Tribunal Federal, escolher dois negros para isso. E são figuras que vem desempenhando a contento suas funções. Isso mostra que, quando há boa vontade e não se discrimina por ser negro, a gente consegue extrair pérolas como o ministro Benedito Gonçalves, o Joaquim Barbosa, e tantos outros que poderiam estar ocupando funções qualificadas, seja no ambiente público, seja no ambiente privado.

UOL - Qual a expectativa de votação do Estatuto da Igualdade Racial?
Santos - Estamos dialogando com os deputados. Acho que existem alguns pontos que são negociáveis e que não vão impactar negativamente a causa da igualdade social. Por exemplo, a questão dos quilombos, que já está no artigo 68 das disposições transitórias da Constituição, que estabelece a obrigação do Estado na titulação de terras e assistência às comunidades remanescentes de quilombo. Há ainda o decreto 4.887 que regulamenta esse dispositivo constitucional. A questão da territorialidade e da definição e caracterização do que é quilombo já é tratada de uma forma bastante profunda tanto no decreto como no artigo, além da disposição normativa do Incra (responsável pela demarcação das terras). Não tem porque tratarmos desse tema em uma legislação infraconstitucional que é o Estatuto.

Estamos defendendo que a questão quilombola entre transversalmente nas diretrizes estabelecidas no Estatuto, ou seja, na questão da cultura, da educação, do esporte, da saúde, do lazer, para que se toque na atenção especial que deve ser dada às comunidades remanescentes de quilombo nestas áreas. Isso vai viabilizar a aprovação do Estatuto. Este ano ainda.

UOL - Que futuro o senhor vê para a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial? Quais as chances de ela sobreviver à troca de governo, em 2010?
Santos - Nosso desafio aqui é exatamente consolidar a política de igualdade racial como uma política de Estado e não de governo. Isso vai se dar a partir das ações desenvolvidas pela secretaria junto aos governos estaduais e municipais. Porque a política da igualdade racial exige capilaridade, precisa ser descentralizada. Essa não é uma questão que será resolvida apenas pelo governo federal. O futuro da secretaria vai se dar também em função de termos uma legislação que fixe as obrigações do Estado e os direitos dos negros na sociedade brasileira, que é o Estatuto da Igualdade Racial. Ele transforma a questão racial em política de Estado.



João M. A. da Silva
Data: 20/11/2008
Hora: 16h20
Atualização: 16h40
Momento: Zumbi dos Palmares morreu no dia 20 de novembro de 1695.
criticasconstrutivas.blogspot.com

12 de nov de 2008

Projeto: Reciclando Tecnologia - laboratório de terminais leves com software livre

Participei nos dias 31/10 à 05/11/2008 da XIII Semana de Tecnologia da FATEC de Guaratinguetá, uma semana (de três dias!?) com exposições de projetos e palestras ligadas ou não a tecnologia.


O Projeto "Reciclando Tecnologia - laboratórios de terminais leves com software livre" (site aqui), desenvolvido pelos alunos do 6º semestre do curso de Tecnologia em Informática - ênfase Redes de computadores e concebido por Jorge Mendes (artigo aqui), trabalha em duas frentes: 1ª - inclusão digital e a 2ª - redução do lixo tecnológico.

A primeira acontece com a montagem de um laboratório de informática completo, feito a partir de máquinas obsoletas (doadas e que estavam abandonadas) rodando em cima de software livre (GNU/Linux) e LTSP (Linux Terminal Server Project) com custo próximo de zero. O laboratório prioriza o autodesenvolvimento dos próprios alunos/comunidade, de forma que a participação destes é vital para a implantação do laboratório. O futuro propõe a transferência do conhecimento adquirido pelos alunos/comunidade para os próximos utilizadores.

A segunda, que é a redução do lixo tecnologico, vai um pouco de frente com o mercado de vendas de computadores, segundo Jorge Mendes o termo "ditadura do upgrade" se define pela troca desnecessárias de computadores por outros sem nenhuma necessidade, além do mais fútil modismo. Gerando um aumento significativo de computadores e monitores para descarte. Estes descartes poluem o meio ambiente, pois carregam em seus componentes produtos tóxicos como o chumbo, mercúrio, cromo...


O Link de Acesso a Internet

Um dos maiores desafios para implementação do projeto (que esta instalado na "sala de leitura" da FATEC - GT) é o acesso a Internet para a instalação de pacotes do sistema operacional GNU/Linux. O link da FATEC - Guaratinguetá, é vinculada a rede do Governo do Estado de São Paulo chamada IntraGov (site aqui) que bloqueia qualquer tipo de download (aos alunos pelo menos), além de muitas outras restrições, como a largura da banda e bloqueio de sites de pesquisa.

O futuro

O projeto esta em momento de expansão, um projeto piloto com a escola Escola Estadual Prof. Jose Pereira Éboli (Guaratinguetá - SP) esta sendo estudado.


Para saber mais e manter-se atualizado, visite o site do projeto: fatecti.wordpress.com/projetos




João M. A. da Silva
Data: 12/11/2008
Hora: 09h42
Atualizado: 10h34
Momento: Agora vai!
criticasconstrutivas.blogspot.com

5 de nov de 2008

Discurso de Barack Obama, após vitória nas eleições presidenciais americanas

Abaixo o discurso de Barack Obama, pronunciado no Grant Park, Chicago - EUA. Frente a 100 mil pessoas, após sua vitória em cima do senador McCain nas eleições presidenciais americanas.

"Olá, Chicago!

Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.

É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.

Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.

Somos, e sempre seremos, os EUA da América.

É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.

Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.

Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.

O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.

Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.

Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.

Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.

Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.

A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.

A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.

À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.

Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.

Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.

Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.

Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.

Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.

Esta é a vitória de vocês.

Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.

Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.

Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.

Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.

O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.

Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.

Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.

Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.

O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.

Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.

Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.

Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.

Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.

Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.

Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.

Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.

E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.

E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.

A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.

E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.

Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.

Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.

Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.

Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.

Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.

Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.

Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.

Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.

O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.

E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.

Podemos.

EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?

Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.

Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.

E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América." - Barack Obama, presidente eleito dos EUA





João M. A. da Silva
Data: 05/11/2008
Hora: 14h37
Atulizado: 14h58
Momento: Após eleição americana
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4 de nov de 2008

FATEC de Americana fica sem telhado

No dia 29/10/2008 (quarta) após forte chuva, a Faculdade de Tecnologia de Americana (FATEC - AM), interior de São Paulo e que foi inaugurada em abril deste ano, viu desabar parte de seu telhado. Um aluno foi ferido, mas passa bem. Em nota oficial (site aqui), a FATEC de Americana informa aos alunos sobre a volta as aulas:

"Srs. alunos, as atividades acadêmicas presenciais retornarão a partir do dia 10/11/2008, em espaço físico a ser informado nos próximos dias. Informações mais detalhadas serão divulgadas a partir do dia 05/11/2008." - Direção da FATEC - AM

Segundo Alessandra Branco, moradora de Americana, que enviou notícia (e as duas fotos) ao portal VC no G1 (leia aqui). Houve danos nos computadores, laboratórios e biblioteca.

O DIA online, noticia (íntegra aqui) que "de acordo com o Corpo de Bombeiros estadual, o incidente ocorreu às 19h45 e destruiu parte do bloco acadêmico e do bloco administrativo da faculdade."

Fatalidade ou ...?

O Blog Política Crítica (veja aqui) em post dia 01/11/2008, informa que "o deputado estadual Antonio Mentor (PT), irá questionar na Assembléia a construção da FATEC - AM, que não resistiu à ventania".

No portal VC no G1, Alessandra Branco argumenta: "Nossa faculdade foi construída no final de 2007 e em menos de um ano já vimos rachaduras em meio a faculdade".

O vídeo abaixo, acoplado do Youtube é uma reportagem local:



FATEC de Mogi Mirim

Para ajudar neste debate temos o caso da FATEC de Mogi Mirim no mês passado.

O Ministério Público interditou (25/09/2008) parte da obra de construção da FATEC de Mogi Mirim (região de Campinas), segundo reportagem de O Globo (leia aqui) os trabalhadores contratados pela construtora Engeva, trabalhavam sem equipamentos de proteção, sem higiene, banheiros em más condições, rede elétrica precária e salários atrasados. A obra que esta orçada em 3,5 milhões conta com verba do Estado de São Paulo e esta sob responsabilidade da Prefeitura.

Se já não bastasse, segundo O Globo, "foi constatado que a obra não foi registrada na Delegacia Regional de Trabalho e a Construtora deixou de apresentar o Programa de Controle de Ambiente de Trabalho, onde constam informações como o prazo de execução e o número de operários". A prefeitura se limitou a suspender o pagamento a construtora Engeva até que se regularize a situação com os trabalhadores.

A ação do Ministério Público, se deu devido a denúncia (leia aqui) feita pela SITICECOM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cerâmica, Refratários, Construção, Montagem Industrial, Pavimentação, Obras e do Mobiliário de Limeira e Região), que inicou uma greve em 22/09/2008 com cerca de 90 trabalhadores contratados para a construção da FATEC de Mogi Mirim, após 80% dos trabalhadores serem despedidos sem qualquer acerto salarial, além da suspenção da alimentação e das péssimas condições de trabalho.

No dia 10/10/2008, após a já citada, intervenção do Ministério Público, a empresa Engeva realizou os pagamentos das recisões e salários atrasados. O presidente do Sindicato, Ademar Rangel da Silva, disse (íntegra aqui) que nas obras públicas sempre acontece episódios parecidos como este, uma vez que as prefeituras abrem licitações e as construtoras de outras regiões do estado e até mesmo do país se apresentam com valores menores e ganham a concorrência. Trabalham de maneira irregular, causando este tipo de transtorno.

Opinião

O problema que vejo no Governo de São Paulo que esta há 16 anos na mão do PSDB é a falta de oposição. A maioria esmagadora na câmara dos deputados faz com que as denuncias sejam colocadas debaixo do tapete.

A própria imprensa de São Paulo, fecha muito bem os olhos, para os muitos problemas da gestão tucana.

A fiscalização de qualquer obra devem ser constantes e não somente em caso de greve por parte dos trabalhadores. É notável a importância das FATECs para a democratização do ensino superior (graduação) e para o mercado profissional em tecnologia, mas a preocupação com a qualidade sempre deve ser superior a qualquer outra intenção, eleitoreira ou não. Nos últimos anos a uma corrida para aumentar o número de vagas nas FATECs, por coincidência ou não 2010 já esta chegando e o atual governador José Serra é um sério candidato a presidência da república.

O caso da FATEC - AM (queda do telhado) e FATEC - MM (obra irregular) tem muita relação, uma já foi construída e a outra esta sendo construída.

Esperamos que o telhado da FATEC de Mogi Mirim aguente uma chuva! (sem piada)


João M. A. da Silva
Data: 04/11/2008
Hora: 13h55
Atualizado: 14h05
Momento: Eleição nos EUA
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