14 de out de 2008

É proibido pensar? - parte 2

Algumas pessoas preferem fechar os olhos, por vários motivos: desmotivação, cansaço, desilusão, coação e medo.

Tem aquelas que fazem pior, pedem para você fechar os olhos. Normalmente esses são os grandes responsáveis pelos atuais problemas.

A esses pergunto: por que tanto medo?

Porque não deixar que os olhos fiquem abertos. Não existe nada mais sublime que o pensamento em seu alto grau de ebulição.

Se você questiona algo, fique feliz, você esta vivo!

A celebre proposição de Descartes "Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo) é atualíssima.

Quando discutimos certos fatos e acontecimentos, não estamos nada mais que formulando opiniões e visões a respeito. Não vejo nenhum tipo de objeção a estes pensamentos.

John Stuart Mill em seu "Ensaio sobre a liberdade", argumenta:

"Se toda a humanidade menos um, fosse de uma determinada opinião, e apenas uma pessoa fosse de opinião contrária, a humanidade não teria mais justificativas para silenciar aquela pessoa, do que ela, se tivesse o poder, de silenciar a humanidade."

O resultado de calar uma opinião é trágica. Nos cabe fazer a nossa parte de termos a nossa, e não deixar que ela se evapore junto com o vento.

Mill continua "Mas o mal peculiar de silenciar a expressão de uma opinião é do que se está pilhando a raça humana: a posteridade assim como a geração existente; aqueles que discordam da opinião, ainda mais do que aqueles que detêm. Se a opinião está correta, eles são privados da oportunidade de se tocar o erro pela verdade; se errada, eles perdem, o que é quase como um grande benefício, a percepção mais clara e mais vívida expressão da verdade produzida por seu choque com o erro."

Bem, por essas e outras que me perguntou: "Você aí, por que quer que fechemos os olhos?"




João M. A. da Silva
Data: 14/10/2008
Hora: 17h14
Atualizado: 17h25
Momento: Texto escrito há um bom tempo.
criticasconstrutivas.blogspot.com

3 comentários:

Samira disse...

As pessoas não se dão conta, mas não só o meio no qual elas estão inseridas, bem como elas mesmas acabam por cercear qualquer tipo de motivação, entre elas a liberdade de expressar o que sente.

Nosso país é reflexo de uma maioria que reclama para os outros, muitas vezes para si, e nada faz. Não se propõe a colocar em prática determinada atitude bem engajada, criada na mente e cuspida no ouvido alheio.

No entanto, muitos são os meios que fazem com que tal liberdade também seja cerceada. Logo, a sensação de que é proibido pensar diferente dos demais impera na dita 'moral' em nossas vidas, minando qualquer tipo de pensamento adverso ou distinto, mesmo que seja em prol do bem - sem ser uma reflexão maniqueísta.

O importante é que com a era dos computadores e da web, muitos calados por outrem, por um veículo ou mesmo por si próprios acabam por expor suas opiniões, sem medo de serem felizes. É o que fazemos!

Não tenho medo de ser mal compreendida. Só não quero deixar de ter a oportunidade de poder ter dito algo.

O difícil é se arrepender de algo que não foi feito anteriormente. Não há pior arrependimento. No entanto, sensato é aquele que pensa antes de agir, mesmo que tal agir seja para falar. A língua e os dedos que teclam fazem coisas.

Abraços! E obrigada pela sugestão! Coloquei no blog.

Samira

Samira disse...

Oi, João!

Esse caso de Santo André está e ainda vai dar o que falar durante muitos dias. Li seu comentário e quanto a respeito de como a imprensa conseguiu o número do celular para falar diretamente com Lindemberg, tenho minhas suspeitas de que tenha partido da própria polícia, tal qual você mencionou. Afinal de contas, eles que estavam negociando a libertação das reféns e a linha deveria, teoricamente, ser direta e exclusiva apenas com eles. O que de fato não aconteceu.

É lamentável esse papel inquisidor, policialesco e 'justiceiro' que a mídia tenta desempenhar nestas horas. O caso Isabella é mais do que prova desta afirmação. Infelizmente, a mobilização que deveria ser feita para outros setores da nossa sociedade, a imprensa não faz, com a argumentação de que deve passar isenção, objetividade ao público. É, no mínimo, contraditório e mais uma vez, lamentável.

Ainda tenho a vã esperança de que as novas gerações de jornalistas que jorra desenfreadamente no mercado possam ser críticas, ao menos uma vez na vida. Caso contrário, serão poucos os profissionais a julgá-la e colocá-la em dúvida, como assim o fez Rodrigo Pimentel.

Estava vendo ontem (20) o desenrolar do velório de Eloá, pela TV, e milhares de pessoas foram ver o acontecimento. Será que ela conhecia tanta gente assim? Será que as pessoas que foram lá, o fizeram por solidariedade? Ou pior: será que foram apenas satisfazer uma curiosidade mórbida de ver na realidade o que a imprensa mostrava, quase que novelisticamente?

Temos que continuar nessa corrente de sempre refletir o papel da imprensa. Ela não é boazinha, não é solidária. Tudo o que faz é objetivando algo em troca, e seu objetivo, definitivamente, não é agir em prol da sociedade, mas sim em prol de ideologias, de direitos próprios.

Abraços!

Samira

Karimme disse...

O exercício de lembrar, na maioria das vezes, traz muitos benefícios!

Obrigado pelo comment, farei questão de responder a um post seu. Sinta-se um convidado do Templo!
Abraço. Karimme