18 de set de 2008

Resenha: "O Escafandro e a Borboleta - Jean-Dominique Bauby"

Livro: O Escafandro e a Borboleta
Autor: Jean-Dominique Bauby
Editora: Martins Fontes
Edição: 1º (1997) / 2º Tiragem (2008)



Há tempos estou para comentar esta obra que é bem particular.

Em uma pesquisa na internet uma página estava falando sobre a vida de Jean-Dominique Bauby e seu esforço para escrever este livro.

Surprendi pelo metódo que Jean-Dominique utilizava para se comunicar.

Outro fato impressionante era o tamanho da lucidez, apesar de tudo que ele passou.

Confesso, que tudo isso me vez comprar este livro. Vamos aos fatos.

Jean-Dominique Bauby sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 8 de dezembro de 1995 e mergulhou em um coma profundo. Quando saiu do coma foi atingido pela rara "Locked-in Syndrome", Síndrome que não permitia mexer-se, comer, falar e respirar sem ajuda de aparelhos. A única parte de seu corpo que se movimentava era seu olho esquerdo.

Apesar disso, todo seu intelecto se mantinha intacto.

Toda comunicação de Jean-Dominique era feita com ajuda de um alfabeto, padrão ESA... (adaptado para a língua francesa), com isso era mais rápido e menos consativo para ele formar as palavras. Pois quando se percorria o alfabeto, Jean-Dominique piscava na letra desejada e assim letra por letra o livro foi sendo escrito.

O livro em si é uma mistura de uma narrativa dos momentos em que se recuperava no hospital com lembranças passadas de sua vida.

Em certos momentos nos sentimos preso junto com ele em seu escafandro e em outros conseguimos voar como as borboletas em suas lembranças.

O que fica claro, e não podera ser diferente, é a angustia de Jean-Dominique em não poder-se mexer e de opiniar a respeito de algo. Era o resultado de sua alta percepção dos movimentos em sua volta. Imagine um pai sem poder abraçar seus filhos...

Ao mesmo tempo, temos o extraordinário, que é poder ler um relato de alguém que viveu esta condição. Isso mostra a capacidade da mente humana, que mesmo em um corpo inerte consegue pulsar e dar grandes lições de vida.

A nossa pequenez frente ao acaso, nos faz refletir de que modo estamos caminhando, as vezes estamos livres para fazer o que quiser, mas nos prendemos pelo medo, outras queremos voar mas nem se quer damos um salto.

Jean-Dominique procurava uma chave para abrir seu escafandro, e você quer se trancar? por que?



João M. A. da Silva
Data: 19/09/2008
Hora: 16h45
Atualização: 16h55
Momento: Finalmente escrevi algo sobre este livro
criticasconstrutivas.blogspot.com



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NOTAS

* Jean-Dominique Bauby nasceu em 1952. Jornalista, tinha dois filhos e era redator-chefe da revista "Elle".

* Escafandro é uma armadura de borracha e ferro usada por mergulhadores para trabalhos no fundo da água. (Fonte: wikipedia.org).


6 comentários:

F disse...

Nao sei se o filme ja esta passando ai no Brasil, mas se estiver vale a pena assistir..eh triste, mas eh real.

Samira disse...

Olá, João!

O mais triste é que neste mundo existem pessoas que possuem todos os movimentos e sentidos ativos, porém sem utilizá-los de forma plena. E não raro nos deparamos com casos de pessoas que possuem algum tipo de dificuldade, mas capacidade incrível de poder superar obstáculos, enquanto que outras pessoas, no seu mais perfeito estado físico e mental, viram-se contra o mundo e todos, em um total estado de alienação. Cotidianamente nos deparamos com a cena que poderia se restringir a apenas uma pessoa como ele, com limitações devido a uma síndrome.

É uma forma de aprendermos a lidar com dificuldades, muitas vezes impostas por nós mesmos. Assim como ele - não na mesma situação, porém -, tento superar obstáculos, para ter uma boa vida. Todavia, sei que muitos permanecem na inércia em se manter alheios ao que há em sua volta. Triste não?

Ah, hoje irei participar de palestra com Marcelo Taz. Amanhã prometo colocar algo sobre no blog.

Abraços!

Samira

Karina Aiko Kawasaki disse...

Oi.
Obrigada pelo comentário!!
Parabéns pelo seu blog..
Muito bom..
Como achou o meu blog?

Boa semana.

Samira disse...

E ai, sumiu!? Aparece!
;)

Line Fernandes disse...

Olá !
Assisti ao filme hoje! Uma amiga me emprestou. Assisti sem saber que era um fato. No final eis a grande surpresa: Jean Dominique Bauby existiu, ele era real! Um filme triste, certo ... mas se trata muito além de uma reflexão! Naquele homem encontrava-se esperança, força de vontade! Escrever o livro foi uma luta diária! Mas ele não desanimou ... ele sabia que podia e conseguiu realizar seu objetivo. Quantas pessoas sãs não possuem nem metas, objetivos, deixaram de sonhar, encontram-se em um estado espiritual vegetativo. Muitas têm medo de tentar, de buscar a felicidade. O ser humano se importa com coisas tão banais e acabam esquecendo do essencial... VIVER! "O Escafandro e a Borboleta" é definitivamente uma lição de vida que deve ser repassada. Um livro que mostra a importância de cada ato humano, até mesmo o ato de respirar. Sim, temos que agradecer pelo dom da vida... eis o bem mais precioso que possuimos. Temos que agradecer e jamais perder a fé! "A fé move montanhas".

Abraço.

Aline Fernandes

Josiel disse...

Texto que interessante. Foge da vala comum...