5 de jun de 2008

Lula e os dedos na amazônia

Segue notícia do UOL (SP) de ontem (05/06/2008):

"No dia mundial do meio ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a floresta Amazônica a um vidro de água benta, pois, segundo o presidente, "todo mundo acha que pode meter o dedo", fazendo alusão a uma tradição católica. A declaração foi feita em cerimônia no Palácio do Planalto para divulgar medidas de combate ao desmatamento.



"É muita gente dando palpite.
Não é que nós não queremos ajuda, que nós não queremos partilhar os conhecimentos que precisamos ter da Amazônia, não é que nós não queremos construir projetos conjuntos, mas nós não podemos permitir que as pessoas tentem ditar as regras sobre o que a gente tem que fazer na Amazônia", disse o presidente. (Leia reportagem completa aqui)"


Opinião


Lado 1

O Presidente Luiz Inácio, tem um dom especial de falar aquilo que o povo quer ouvir. Esse dom o ajudou a ser eleito e reeleito.

O problema é que existe um abismo monstruoso no que é dito e o que é praticado. Ou seja é lindo governar o pais com as palavras, difícil é arregaçar as mangas e suar.

Tive conhecimento pelo Blog A Jornalista, Samira Morrati (Veja aqui), bem antes do fantástico. Sobre a ONG inglesa Cool Earth, do milionário Johan Eliasch (leia aqui) e que esta sendo investigada pela ABIN, sobre compras de terras da amâzonia, para suposta intenção de protege-la.

O portal fauna brasil, traz uma reportagem de Délcio Rocha, a respeito deste caso aqui.

Fazendo algumas pesquisas li no site do Greenpeace (aqui) um artigo com o título: A Amazônia não está a venda (novembro de 2006). No qual o ministro do Meio Ambiente britânico, David Miliband, prevê a compra de grandes áreas da Amazônia para proteger a biodiversidade e o clima global.

Essas ações de compras de áreas da floresta amazônica, por grupos internacionais, são preocupantes apesar das "boas intenções". O próprio governo admiti ter dificuldades em fiscalizar.

A BBC Brasil, hoje (06/06/2008) traz uma reportagem com o título:
"É quase impossível impor regras na Amazônia, diz 'Economist' (completa aqui).

Que entre outras coisas fala sobre o desafio do novo ministro Carlos Minc, de cuidar da região.












Lado 2


Os países interessados na proteção da amâzonia e críticos do governo, são os mesmos países que em nome do desenvolvimento, sem planejamento ambiental, acabaram com suas próprias reservas florestais nativas. Deste ponto o presidente tem razão em sua argumentação.



Conclusão

Acredito que deva ocorrer uma forte fiscalização tanto nos que dizem ser "mocinhos" e as empresas exploratórias. Não cabe mais espaço para inocência, todos sabem quais são os interesses dessas empresas aqui no Brasil. Também as nossas empresas e as do governo.

Fica a dúvida, como desenvolver a região (para os brasileiros que vivem nela) respeitando o meio ambiente?. No portal amazonia.org.br, tem um estudo da Academia Brasileira de Ciências (aqui) que achei bem interessante, sobre a criação de novos pólos tecnológicos sustentáveis.

"Ao final de dez anos, criando-se três novos Institutos Científico-Tecnológico e três novas Universidades, teremos um investimento adicional correspondente a 1,9% do Produto Regional Bruto (PRB) ou 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, cerca de R$ 30 bilhões em dez anos".

Com esse investimento, novas atividades econômicas seriam criadas, com ampliação de empregos e mão-de-obra qualificada, a partir de um novo modelo de desenvolvimento que valorize a floresta. "Somente com investimentos dessa magnitude em C,T&I é que o desafio da concepção de um novo paradigma de desenvolvimento para a Amazônia poderá ser enfrentado" (Amazonia.org.br)


Fiquemos de olho!



João M. A. da Silva
Data: 06/06/2008
Hora: 15h35
Momento: De olho no verde
criticasconstrutivas.blogspot.com

2 comentários:

Léli "ceLejinha" Watson disse...

Eu sou realmente alienada... Tô meio por fora dessa fofoca toda... Ler teu blog foi bom para me informar! o/
Vou só deixar um comentário seco e sarcástico...
Os outros países podem meter os 10 dedos na Amazônia mas o nosso presidente não... =X
Até a próxima! o/

Samira Moratti disse...

Infelizmente é verdade. Falar para a dita "massa", conceito que a própria imprensa impregnou à sociedade, é uma das melhores qualidades de Lula, um alguém que como José Dirceu, Gabeira, FHC e companhia já fora outrora, nos tempos de chumbo, muito mais engajado. Mas só quem está por dentro para saber. E ele descobriu que não seria tão fácil quanto falava com seus companheiros do ABC. Mas voltando ao assunto: realmente muito se diz, pelos próprios governantes brasileiros, em agir em prol do meio ambiente e principalmente da preservação da Amazônia. O problema, no entanto, é que nada é feito. O Ibama virou cabide de empregos naquela região, já que é humanamente impossível pensar que dois funcionários possam cobrir parte de uma região com madereiras, capangas armados e etc. Para não morrer como tantos outros civis pequenos, inofensivos que apenas tiram a subsistência da região, eles se corrompem, se vendem. Eis a verdade. Enquanto isso, índios se dividem nos que ainda querem proteger a Amazônia e nos outros que foram comprados por "espelhos", "Hilux" e outros presentes do homem branco.

Dai vem um monte de "ecoamigos" do exterior falando numa tal de "internacionalização da Amazônia" e eis que nosso amigo João toca no ponto fundamental: eles que destruíram todas suas reservas verdes, tentam também botar o dedo na nossa para tentar destruí-las também.

Um governador, e digo não só estadual, mas aquele que comanda a nação, seria muito mais inteligente se realmente se esforçasse em proteger o que é da nação brasileira: a única parte verde que ainda nos resta e que pouco a pouco vai sendo dizimada. Olha, lembro aqui pelo meu próprio esposo, o Aqüifero Guarani, que corta o sul do país e outros três países, já está sob domínio norte-americano. Em um dos outros três países, bases militares norte-americanas foram instaladas e sabem para quê? É porque o Aqüífero é a maior fonte de água doce existente no mundo.

Abram o olho, pessoal! Informem-se. Não fiquemos de braços cruzados esperando que o governo tome uma atitude.

Repito o que sempre digo: a informação ainda é nossa maior alidada. Não sejamos alienados e sim informados e exijamos nossos direitos.

Abraços João e ótima reflexão!

Samira Moratti