26 de set de 2007

Resposta do Senador Eduardo Suplicy sobre seu Voto no caso Renan Calheiros

Questionei ao Senador Eduardo Suplicy por e-mail o seguinte:

Pergunta

Como o senhor votou no caso Renan?
O Senhor é a favor do voto secreto?
Um abraço,

João
criticasconstrutivas.blogspot.com
Data: 20/09/2007



Resposta:



João,

Recebi seu e-mail, envio- lhe a mensagem que escrevi aos milhares de internautas que me escreveram nos últimos dias questionando qual minha posição no caso do Senador Renan Calheiros.

O abraço,

Senador Eduardo Suplicy


Envio-lhe cópia da carta de que escrevi para o jornal "Folha de São Paulo" e que foi publicada resumidamente na edição de 3ª feira, 18/9. Quero informar também que aprovamos na quarta-feira 19/09, na Comissão de Constituição e Justiça, o fim das sessões e do voto secreto. A matéria agora será julgada em plenário. Estou lutando para que sua votação seja o mais rápido possível.

São Paulo, 15 de setembro de 2007


Prezados Otávio Frias Filho e Renata Lo Prete:

A manchete da 1a. p. de 12.9, a nota "Coreografia" do painel da "Folha" e o registro de parte de meu pronunciamento na sessão fechada suscitaram dúvidas que precisam ser esclarecidas. Numa votação de grande responsabilidade, por exemplo, um ministro do STF jamais revelaria o seu voto na véspera da sessão em que se dará o julgamento antes de ouvir inteiramente os argumentos da defesa.

Os jornalistas da "Folha" que cobrem o Senado sabiam que há varias semanas eu vinha dizendo que queria ouvir os esclarecimentos do Senador Renan Calheiros, se possível em sessão aberta, antes de tomar minha decisão. Garantir o direito de defesa é direito consagrado em nossa Constituição. Ele afirmou inúmeras vezes que dialogaria comigo. Marcou para a terça-feira, dia 11. Fui ao seu gabinete às 19:30 e de pronto me recebeu, chamando o Líder do PMDB, Senador Waldir Raupp, que testemunhou o diálogo de mais de uma hora. Deu longa explicação, respondeu às minhas perguntas de maneira cordial e respeitosa, como sempre foi a nossa relação, e entregou-me o seu memorial sobre os fatos. O jornalista Ranier Bragon da "Folha" veio ao meu gabinete, relatei-lhe do encontro e lhe dei uma cópia do memorial. Disse a ele que iria estudar todos os argumentos ali contidos. O fiz com atenção.

No início da sessão de julgamento no dia 12, ainda aberta, ao cumprimentar o senador Renan Calheiros, disse-lhe que se ele concordasse possivelmente poderia haver uma decisão soberana do plenário para que ela se tornasse aberta. Ele respondeu bravo, dizendo que quem agora presidia a sessão era o senador Tião Viana. Em meio às questões de ordem, na parte aberta da sessão, depois de eu dizer que queria revelar o meu voto, o Presidente Tião Viana alertou-me de que isso poderia anular a sessão.

Na sessão fechada fui dos últimos a falar, ocasião em que externei as razões de meu voto. Pouco antes o senador Francisco Dornelles argumentara que, com respeito à não declaração do empréstimo à Receita Federal, só poderia ser considerado como crime depois de conclusão de inquérito pela Receita Federal, o que deu margem para que alguns se abstivessem. Em minha fala, expliquei que a quebra de decoro estava não tanto na não declaração em si, que poderia ter sido, e ainda não foi, objeto de retificação com o pagamento de multa, mas na explicação dada que, "por discrição", o presidente Renan Calheiros tinha deixado de declarar e, segundo, pela apresentação de emenda na LDO de 2005 para obra no cais de Maceió, de interesse da Mendes Jr, onde era diretor o amigo que lhe prestava uma gentileza. Naquele momento deveria ter dito ao Cláudio Gontijo que agora precisava de outra pessoa para levar a pensão à mãe de sua filha. Por isso, votei sim pela cassação. Não houve, portanto qualquer coreografia naquela visita, senão a minha vontade de conhecer, olho no olho, todos os argumentos do presidente do Senado.

Respeitosamente, Senador Eduardo Matarazzo Suplicy (PT/SP)



Opinião:


Um cara honesto na política.




João M. A. da Silva
Data: 26/09/2007
criticasconstrutivas.blogspot.com

Um comentário:

Samira disse...

Olá João!

Há quanto tempo? Também estou sumida, confesso.

Bem, gostei da explicação que o senador lhe deu. Inclusive, certa vez enviei e-mails com uma carta minha - um tanto revoltada - em meados de 2005-2006. Dos mais de 600 endereços eletrônicos, entre os muitos deputados federais e senadores, apenas o senador Eduardo Suplicy me respondeu, de forma muito cordial e esclarecedora. Essa resposta guardo até hoje em minha caixa de e-mail.

O senador Suplicy tem características peculiares, como qualquer outra pessoa. Parece - já que não o conheço pessoalmente - um alguém que luta por uma melhoria, por pequena que seja, no meio em que vive. Inclusive, diversas vezes dialoguei com amigos, com meu noivo, enfim, que ele seria um bom candidato à presidência. Infelizmente sabemos bem que, apesar de ter seu carisma, o senador não seria escolhido pelo seu partido já que, com certeza, não seria conivente com uma série de situações pelas quais teria que passar. Infelizmente, por mais que a pessoa seja idônea, dificilmente ela consegue colocar em prática tudo o que almeja para que seja realizada uma política limpa. Os que se atreveram a ultrapassar os limites do sistema imposto pelos grandes coronéis da política foram mortos ou simplesmente sumiram de órbita.

Eu gosto muito da atuação de Suplicy, e a acompanho pela TV Senado - há, diversas vezes, momentos que prefiro assistir a própria TV Senado e TV Câmera pois bem sei que, no meio que quero me inserir, o da comunicação, muito se deturpa, tudo com o objetivo simples de conseguir ganhar um furo de reportagem, por exemplo. E, pelo que entendi, Suplicy enviou essa carta à Folha tentando consertar algo que os jornalistas 'modificaram'.

Com a criação de um novo Jornalismo opinativo - inclusive, a TV Cultura vem propor isso agora, em seu jornalismo - a tendência a fazer opiniões, sejam elas quais forem, a respeito das notícias, irá aumentar. Isso é bom? Com certeza. Porém, o problema é que muitas pessoas que compõem o público leva em consideração a opinião do jornalista como verdade absoluta. E as opiniões que são colocadas, muitas vezes, são destituídas de qualquer análise profunda a respeito do assunto, já que o que se almeja, na realidade, é seguir a linha editorial do jornal, bem como uma tendência natural de impor suas próprias opiniões, subjetivamente.

Parabéns pelos questionamentos ao senador. Todo cidadão que exige seus direitos neste país deveria fazer isso. De vez em quando eu faço e recebo risadinhas irônicas ou me chamam de idiota. Prefiro ser idiota lutando pelo que acredito, do que ser apenas aquele que reclama, reclama e nem ao menos reclama seus direitos às pessoas que deveriam ouvir, mas sim às paredes. É lamentável que muitos não utilizem sua liberdade de expressão, preferindo que os jornalistas assim o façam. E, infelizmente, mais ainda que muitos jornalistas o fazem, sem objetivar o que jurou fazer ao receber o diploma: que é agir em prol do povo, esclarecendo-lhes a verdade, mas sim divulgar verdades, com mentiras escondidas.

Abraços e fique com Deus.

Samira