3 de ago de 2007

Programa Opinião Nacional - TV Cultura: Aborto



Ontem, quinta-feira 02/08/2007 - foi ao ar por volta das 22:40 horas o programa Opinião Nacional da TV Cultura, apresentado pelo Jornalista Alexandre Machado que realizou um debate com o tema ABORTO.

Entre os presente estavam Mario Sergio Cortella (filósofo, educador e professor do departamento de Teologia e Ciências da Religião PUC/SP), Roberto Delmanto Júnior (advogado - USP), Tânia Lago (médica da secretaria da saúde de SP), Elizabeth Kipman Cerqueira (obstetrícia) e Márcia Tiburi (filósofa - FAAP) e Ives Gandra Martins (jurista e professor emérito do Mackenzie), o programa contou ainda com a participação por vídeo de José Gomes Temporão, Ministro da Saúde e Drauzio Varella, médico e apresentador de TV.



O programa foi excelente, de alto nível e com momentos calorosos, principalmente no intervalo, como observado pelo Alexandre Machado.


O assunto é extremamente polêmico, cada um tem sua opinião, eu tenho a minha e qual é a sua opinião?


Opinião

Sobre o tema e a respeito de algumas teses defendidas pelo lado da legalização do aborto, tenho algumas colocações:

1) "Todos aqueles que discutem sobre o ABORTO, tiveram a oportunidade de NASCER"

2) Homens machistas
[-] Argumento retirado por não ser comprovado com referências, o que estava escrito anteriormente pelo autor do Blog.

3) Direito de escolha
Um outro ponto defendido pelos pró ABORTO, é do direito a consciência da mulher de decidir se deve ou não matar o bebê ("isto" ou "coisa" como preferem algumas mulheres). Se partíssemos deste ponto, podemos então dizer que, devemos dar o direito a um traficante de vender ou não suas drogas, ou ainda dar o direito ao adolescente de decidir sobre atirar uma bala na sua cabeça ou no colega. Enfim ficou meio confuso, ficou algo entre liberdade e libertinagem. "Eu tenho a liberdade de dar vários socos e chutes, desde que não atinja o seu rosto".

4) Aonde começa a vida
Cada um puxa para o seu lado, quem é pró ABORTO, procura confundir. Quanto mais tarde começar a vida, para eles melhor, pois não poderão chamar de bebê ou vida. Mas muitos [Biólogos] defendem o começo da vida na concepção.

5) O Corpo da mulher
A mulher tem o direito sobre o seu próprio corpo. Sim, como acontece com os homens, muitas podem fazer tatuagem, passar cremes, cuidar do corpo, fazer plásticas, cortar, esticar, criar músculos, etc. Isso é verdade assim como os homens, as mulheres tem o direito de fazer o que quiser com o corpo.
Mas, no momento da gravidez a mulher não esta mais sozinha! e a história é outra.

6) Estatísticas e Números
Os dados e estimativas sobre abortos ilegais no Brasil, foram apresentados e contestados, pois não tem base científica. Realmente, quando se baseia em metodologias de outros países como a França e outros países mais desenvolvido, fica um pouco distante, pois sabemos das diferenças econômicas, que são enormes. Não podemos transpor para nossa realidade, por exemplo, um medicamente abortivo que custa 200 reais, que para um europeu é acessível mas para um brasileiro nem tanto.

7) Os pobres
Um argumento muito forte, é que os pobres e miseráveis, aqueles que a sociedade esquece, são os maiores prejudicados, pois acabam fazendo o aborto clandestino e em muitos casos, levando a mulher a morte.
Na verdade os pobres sofrem com tudo, muitos morrem por falta de saneamento básico, fome e alguns casos de desidratação (seca nordeste), e quando não morrem, ficam jogados nos hospitais, como números. Ainda sofrem com desemprego, humilhação, são chamados de bandidos e gente feia.
Quando aparece uma classe mais alta, querendo ajudar, desconfie, às vezes querem apenas limpar a cara deles mesmos.

8) Planejamento familiar
[-] Argumento retirado por não ser comprovado com referências, o que estava escrito anteriormente pelo autor do Blog.

9) Distribuição de anticoncepcional
Animais se relacionam para se procriar, [-] nos seres humanos isso não é diferente. [+] Com a distribuição incontrolável de anticoncepcional, entra a máxima, quanto mais se pratica maior a chance de se conceber um filho.

10) Casos de estupro, incesto e problemas de formação do feto
Estupro é crime, incesto [-] também. Estranhei que uma participante falou que uma jovem teve 3 gravidez por incesto, ora se foi forçado na primeira seu "pai" deveria ter sido preso.
Penso que deveria existir assistência psicológica e no final caso a mãe não queira cuidar de seu filho, alguma instituição de menores o fazia.
Na má formação do feto, como no caso dos anencéfalos, a vida é um grande mistério, às vezes nem tudo parece sair como queríamos, neste caso também a assistência psicológica e discernimento espiritual [-].

11) Leis
Sobre as leis é difícil falar [-]. Mas me parece que o bebê esta protegido por lei [nascituro], e um plebiscito é inconstitucional, teria que haver uma assembléia constituinte e essa aprovar.
Mas jeitinho é que não falta no Brasil.



Em suma, acho um assunto muito chato, pois envolve muito sofrimento.

Encerro repetindo a frase (que não é minha):

"Todos aqueles que discutem sobre o ABORTO, tiveram a oportunidade de NASCER"



João M. A. da Silva
criticasconstrutivas.blogspot.com
03/08/2007

2 comentários:

Samira disse...

João,

Sim, o tema é muito polêmico. Assim como você também se posicionou a respeito, identifico-me com uma série de opiniões também suas. Lembro agora uma frase que a modelo internacional Gisele disse nos jornais, de que era favorável ao aborto, uma vez que até os três meses de gravidez ainda não há ‘nada’. Pensamos, então, com todo o respeito à pessoa, de que ela foi concebida e gerada do terceiro mês em diante, não passando os três primeiros meses. Ou mesmo informa-la de que ela já foi um nada - hoje tudo, pela pessoa famosa que é - já que passou pelos três primeiros meses que o "nada" então existe.

Sou contra o aborto porque, assim como você disse, uma vez o óvulo fecundado já há nele vida e, portanto, a mulher não pode decidir sozinha, já que há uma vida dentro de si. No caso das mulheres que sofreram estupro ou incesto, como você mencionou, é claro que é uma dor, horrível, imaginar conceber um filho de seu agressor, mas elas não precisam necessariamente cuidar da criança. Elas podem gerá-la e, caso não se sintam aptas, coloca-las à adoção. Sabemos que grande é a lista de pessoas a procura de filhos para adotar, principalmente Bebês, e com certeza essa criança teria um lar para lhe acolher, com amor e carinho. Matar uma criança é praticar ato igual ou superior ao que a vítima sofreu, no caso de estupro ou incesto. Nesse caso, é preciso que haja um acompanhamento profundo com a vítima, para que ela não tome uma decisão precipitada e depois sofra com isto.

A discussão é necessária, mas com embasamento, e não somente porque se quer abortar, e pronto.

Como sempre, você e seus temas polêmicos, que geram a criticidade. E a criticidade é necessária em nosso país, com histórico noveleiro e vazio, portanto.

Um abraço.

Samira.

José disse...

Concordo com o João e com a Samira. Um espermatozóide é só um espermatozóide. Um óvulo é só um óvulo. E serão assim para sempre. Porém, um óvulo fecundado por um espermatozóide, nesse instante, deixa de ser apenas um óvulo e passa a ser um outro Ser. Está no seu primeiro estágio evolutivo, é claro, que se seguirá pela infância, adolescência, etc. Uma vez fecundado, interromper a gestação é interromper uma vida. Até posso aceitar uma decisão médica de interromper uma gravidez por risco à mãe, uma anencefalia, etc. ou até em casos absurdos de estupro e outras violencias, mas, viver de forma livre, leve e solta e depois dizer que não tá afim, não cola. A responsabilidade e o preço que se paga pela liberdade.