30 de jul de 2007

A cultura dos olhos fechados



Veja esta notícia no portal UOL do dia: 29/07/2007

Nuzman evita problemas do PAN e só ELOGIA atuação nacional

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL no Rio de Janeiro


"Sei que vocês tiveram algumas surpresas, mas nós não", diz Carlos Arthur Nuzman, em entrevista coletiva. Ele não está falando do Pan-Americano que organizou com muitos erros e acertos e que se fecha neste domingo.


No último dia de competição, ele só comenta o desempenho da delegação brasileira no Pan em casa. "Sobre o comitê organizador eu respondo amanhã. Esse não é o tema desta entrevista", corta ele quando vem uma pergunta sobre o desastre que foi o estádio de beisebol e softbol na Cidade do Rock.

(...)

Disponível: http://pan.uol.com.br/pan/2007/ultnot/2007/07/29/ult4343u1237.jhtm

Opinião

Não sei se é coisa de brasileiro, carioca ou do ser humano mesmo, mas sempre procuramos ocultar os erros.

E essa atitude é gravíssima, pois gera acomodação e acomodação não gera nada de útil.

Sim é bom elogiar, aplaudir, comemorar, festejar, beber, encher a cara, enfim tudo que uma comemoração tem de direito. Mas nunca devemos ignorar os erros, ou reportá-los como se não fossem nada. Ainda bem que não choveu muito nesses jogos. E a torcida? E os ingressos convites? E os orçamentos estourados? Nunca esqueçam deles, os erros nos levam aos acertos.

No próprio Rio de Janeiro, durante muito tempo, a visão das favelas e da violência, sempre vinha em segundo plano, primeiro tinha que vir o "Cristo Redentor" (veja, não é "Jesus Redentor"), Copacabana e suas maravilhas, Garota de Ipanema, Tom Jobim, Rede Globo, Novelas, etc. Essa era e é a visão dos elogios. Mas, foram se esquecendo das pessoas que viviam e que começavam a construir suas casas aos arredores, nos morros, em lugares proibidos, sem condições, sem infra-estrutura, sem planejamento, sem trabalho, sem estudo e sem perspectivas de melhoria.

Mas isso não é restrito ao Rio de Janeiro, veja o caso dos aéroportos, basta alguma organização internacional falar que é seguro, e pronto! É a resposta definitiva para não se investir e não fazer mas nada.

Por outro lado também é muito fácil fazer críticas vazias, sem apontar soluções, no caso dos jogos acredito que plano de contingência, e locais alternativos em caso de chuva. Um manual de comportamento para a torcida, quem sabe até punição e para os ingressos convites, cotas menores e auditora séria nas obras.

Essas coisas não acontece só com políticos. No dia a dia, procuramos esconder nossos defeitos e às vezes até defendemos os erros dos outros. Acredito que essa seja uma maneira de proteção dos animais.

Se bem que na prática, apenas fechamos os olhos, quando estamos dormindo...

João M. A. da Silva
Data: 30/07/2007
criticasconstrutivas.blogpost.com

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