21 de jun de 2007

... novamente o Cinema

Parece que todos ficam excitados com alguma notícia lá fora sobre o Brasil. E saiu no Financial Times (21/06/2007), um respeitado jornal americano. Com o título de:

"Luzes, câmera, ação... lucros. É o cinema brasileiro" - traduzido pela folha (http://noticias.uol.com.br/)

Resumo da Notícia:

Luzes, câmera, ação... lucros. É o cinema brasileiro

Por Richard Lapper

Quando "Cidade de Deus" fez um grande sucesso no Festival de Cinema de Cannes, em 2002, e depois bateu recordes de bilheteria no circuito internacional, ninguém ficou mais surpreso que Fernando Meirelles, seu modesto diretor. "Fernando tinha certeza de que ninguém ia querer vê-lo. Pensou que não gostariam de tanta violência", diz Hank Levine, um co-produtor de "Cidade de Deus" e colega na O2, a produtora independente de São Paulo.

Mas os acordos que a O2 negociou com os distribuidores foram muito menos interessantes do que poderiam ter sido. Mesmo assim, o sucesso de "Cidade de Deus" - que acompanha as peripécias de dois bandos de traficantes em uma favela do Rio de Janeiro - colocou o cinema brasileiro no mapa internacional e nesse processo atraiu a atenção para uma indústria cujos destinos se transformaram nos últimos 15 anos.

Com a aprovação de uma lei, em 1993, que permite que qualquer empresa brasileira deduza de seu imposto de renda o dinheiro investido em filmes, forneceu uma nova fonte de fundos e provocou uma reviravolta. Companhias como Petrobras, o BNDES, têm sido especialmente ativos. E, em parte por causa disso, uma nova geração de diretores, da qual Meirelles e Walter Salles - diretor do internacionalmente aclamado "Central do Brasil" e mais recentemente de "Diários de Motocicleta"- são os mais famosos, ganhou o primeiro plano.

As produtoras independentes como a O2, que com 14 diretores afirma ser a maior da América Latina, também demonstraram capacidade empresarial, combinando operações de longa-metragem com uma série de outras atividades mais comerciais. A companhia, que fez seu primeiro longa-metragem em 2001, começou dedicada à publicidade para TV e ainda obtém cerca de 70% de sua renda dessa fonte. O próprio Meirelles, por exemplo, passou recentemente um mês na China fazendo um comercial para a empresa de calçados esportivos Nike. Mais receitas vêm de contratos de produção para clientes diversos, incluindo algumas das maiores corporações do mundo, assim como para cineastas estrangeiros.

O sucesso internacional também ajudou a O2 a desenvolver parcerias com produtores estrangeiros. Entre os atuais projetos estão três filmes apoiados pela Universal Studios, parte do grande esforço do grupo americano para promover o cinema nos mercados emergentes.

Como "Cidade de Deus", grande parte da nova série de filmes produzidos pela O2, pela Conspiração - sua rival baseada no Rio de Janeiro - e por outros cineastas independentes marcou uma mudança acentuada na qualidade, comparada com uma geração anterior de cinema da corrente dominante, muitas vezes associada ao mesmo tipo de atuação exagerada e cenários baratos, típicos da poderosa indústria de novelas do Brasil.

A nova onda embrionária do cinema brasileiro também é inovadora de outra maneira. Enquanto a novela de televisão latino-americana geralmente glamouriza estilos de vida da classe média distantes da experiência direta da maioria dos espectadores, em um sentido social, a nova safra de filmes brasileiros tem raízes mais firmes e, com freqüência, um toque de documentário.

Alguns desses filmes, como "Cidade de Deus" e o próximo "Cidade dos Homens" de Morelli, outra história de gangues que os executivos da O2 estão anunciando como uma seqüência, enfocam diretamente a vida nas favelas tão comuns nas periferias das cidades brasileiras. "Carandiru", que mostra as condições na prisão e uma rebelião sangrenta, e "Anjos do Sol", uma história de prostituição infantil na Amazônia, examinam a condição dos socialmente excluídos.

Outros filmes recentes focalizam a mobilidade social e geográfica. "Dois Filhos de Francisco", um enorme sucesso de bilheteria local, é a história de dois cantores sertanejos reais que saem da pobreza em uma aldeia no oeste do Brasil e tornam-se milionários; "Caminho das Nuvens" conta a história de um homem e seu círculo familiar do nordeste pobre que vão para o Rio de Janeiro em busca de um emprego que pagará R$ 1 mil por mês; em "Céu de Suely", uma jovem de uma cidade pobre do nordeste rifa o corpo para ganhar o dinheiro de que precisa para comprar uma passagem de ônibus para o sul.

Levine diz que filmes como estes são geralmente bem recebidos em festivais internacionais e podem se sair bem no circuito artístico internacional, apesar de não se encaixarem exatamente no que ele chama de imagem de "crise, violência e loucura" criada pelo sucesso de "Cidade de Deus".

O mercado ainda é relativamente pequeno para seu tamanho, com receitas de US$ 285,2 milhões no ano passado - cerca da metade das do México, por exemplo - e é dominado por filmes estrangeiros, especialmente pelas grandes produções de Hollywood.

Os filmes brasileiros tiveram uma participação de mercado de cerca de 10% em 2006. E os preços dos ingressos são relativamente caros, geralmente em torno de R$ 15, em São Paulo, o que equivale a um salário mínimo diário. Para complicar ainda mais as coisas, existe o florescente mercado negro, pouco policiado, de versões piratas de filmes em DVD. "As pessoas não têm dinheiro para ir. É uma diversão cara para os brasileiros", diz Barata.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Data: 20/06/2007

Opinião:
Parece coincidência, mas não tinha lido esta notícia antes de escrever a 'postagem' anterior.

Aquilo que eu falei, sobre a temática dos filmes brasileiros (coloquei-as em negrito acima) estatisticamente e infelizmente os filmes são carregados de abusos e apelos a violência. Além de explorar a pobreza do Brasil.

Penso que filmes tem seu lado de crítica social, mas prefiro os vê-lo em documentários ou em pinceladas ao longo do filme.

Claro, esta notícia é uma visão de fora para dentro, mas os números são esses, qual foram os filmes mais assistidos no Brasil? O que eles mostravam?

Mudanças?

Quando assistimos (quem aguenta ver!) o noticiário da TV, a novela, o filme e a noite da uma espiada nas ruas, percebem algo em comum, a violência, que perigosamente vai penetrando, como uma segunda pele, em nossos corpos e mentes, fazendo com que acostumemos a ela.

Por isso falei da troca da temática nos filmes brasileiros.
Fazer uma viajem na fantasia e imaginação, faz bem para a mente.

Volto a lembrar da idéia de um 'Centro de Estúdio de Animação' no Brasil, inicialmente com recursos do próprio governo, para criação de desenhos, filmes, documentários arte em geral.

Mas parece que no Brasil, para sair algo assim, teríamos que conseguir um lobista para alguns contatos.

Por fim, algo que pensei agora.

"O sonho é eterno e a realidade as vezes nos faz acordar, e ela não nos acordar por acaso, ela sempre quer que façamos algo, e o algo normalmente é aquilo que estávamos sonhando."

João M. A. da Silva
21/06/2007
criticasconstrutivas.blogspot.com

2 comentários:

Pedro Paulo disse...

Se é a realidade do brasil que está sendo vendida no cinema, vamos produzir um filme sobre a corrupção do senado...
A fantasia que eles vivem... exibir as técnicas que aprenderam, o lucro que tiveram, os carros e casas que compraram...
Imagina só... casos e atores terão aos montes.

Samira disse...

Olá!

Sobre o Roda Viva de segunda-feira, dia 25, não, não pude ver, mas deve ter sido interessante.

Aliás, é um assunto muito importante a ser debatido, uma vez que não são todas as pessoas que consideram a classficação por faixa etária algo igualado a censura prévia. É apenas uma forma de salvaguardar as crianças de ver, por exemplo, uma atriz de nu perifl na novela das sete, como é costumaz. Está certo que as crianças de hoje não são mais tão inocentes, mas não é necessário expô-las tanto a muita violência - veiculada em próprios desenhos animados - quanto mais a sexo ímplicito e explícito na novela.

É isso!

Você poderia abordar isso, ein?

Abs. e fique em paz!

Samira