1 de set de 2006

TEMPOS MODERNOS: A informática e o novo renascimento

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=396AZL006

em 29/8/2006

O laptop de Leonardo – Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida, de Ben Shneiderman (trad. Vera Whately), 288 pp., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006; R$ 39,90


[do release da editora]

"A informática de hoje versa sobre aquilo que os computadores podem fazer, a nova informática versará sobre aquilo que as pessoas podem fazer." A frase que abre o prefácio de O laptop de Leonardo – Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida resume com muita objetividade o pensamento do autor Ben Shneiderman, um dos maiores especialistas em ciência da computação dos Estados Unidos. Para ele, o século 21 pode testemunhar um novo Renascimento – ou "Renascimento 2.0" – caso saiba reconhecer as necessidades dos seres humanos no aprimoramento da tecnologia.

Considerado nos Estados Unidos um guru das pesquisas sobre interação entre computadores e seres humanos, Shneiderman, professor da Universidade de Maryland, acredita que a tecnologia só faz sentido quando melhora a qualidade de vida. Em O laptop de Leonardo ele toma a obra de Leonardo da Vinci como musa inspiradora para o que chama de "Nova Informática", mostrando que, quando se combina a ciência com a arte e a estética, é possível vislumbrar experiências de mais sucesso e satisfação com as tecnologias da informação e da comunicação. O livro é ilustrado com desenhos e pinturas de Da Vinci, que servem de paralelo para os sistemas e conceitos que o autor está propondo.

Princípio é aplicado à educação, ao comércio e à política

Ao longo de cada capítulo, Shneiderman propõe e analisa aplicações práticas do princípio básico da Nova Informática a diversos aspectos da vida em sociedade. Na área da educação, por exemplo, mostra como os softwares e a internet podem ser aplicados a um tipo de aprendizado mais qualificado, menos focado em cobranças, no qual cada aluno é estimulado a desenvolver suas habilidades. Num tempo em que os sites de busca já são manejados com desenvoltura por crianças que acabaram de ser alfabetizadas, não faz sentido, segundo Shneiderman, a escola continuar exigindo dos estudantes a memorização de um amontoado de datas e nomes de heróis nacionais. O computador assumiria o encargo do acúmulo desta cultura enciclopédica, servindo, também como uma ferramenta para o desenvolvimento da criatividade e da interatividade com os colegas de classe ou de outras escolas e universidades.

O estilo de vida de Da Vinci serve de inspiração para o capítulo sobre comércio on-line, em que Shneiderman defende a teoria de que o sucesso dos bons negócios na rede está atrelado a duas tendências: a personalização controlada pelo comerciante e a customização controlada pelo cliente. A idéia de customização também norteia o capítulo sobre política, em que o autor imagina sites comunitários, que sirvam para administrar projetos e áreas de um município, e portais para acompanhamento das atividades dos políticos, para que o eleitor observe quem cumpriu suas promessas de campanha e abra debates com a equipe de um senador, prefeito ou deputado, aumentando a transparência e diminuindo a corrupção.

O laptop de Leonardo afirma que a busca de excelência e de criatividade é, antes de mais nada, a busca do autoconhecimento ("Quem sou eu? E o que eu quero, afinal?"). Também é um reconhecimento das necessidades do outro, que leva à interatividade. Mirando o tempo inteiro em Leonardo Da Vinci, Shneiderman dá pistas do perfil de um Leonardo moderno, que poderia servir de porta-voz para esta era do "novo Renascimento":

"Poderia ser um pesquisador de genomas, como Craig Ventner, que faz comentários precisos na televisão com o tom autoritário do naturalista David Attenborough e a compreensão política de Gandhi (...) Poderia também ser uma intérprete musical como Madonna, que tem o domínio da cor e forma de Georgia O’Keeffe e as idéias de informática de Bill Gates. Na nossa era de especialistas, as combinações de habilidades múltiplas nos surpreendem, mas era isso que tornava Leonardo tão fantástico e criativo".

O autor

Ben Shneiderman é professor de Ciência da Computação da Universidade de Maryland, onde dirige Human-Computer Interaction Laboratory. É autor de diversos livros, entre eles Software Psychology: human factors in computer and information systems e designing the user interface: strategies for effective human-computer interaction – a bíblia dos webdesigners. Seu maior sucesso editorial foi O laptop de Leonardo – um livro tão importante que o Massachusets Institute of Technology (MIT) criou um portal exclusivo sobre ele, com grupos de discussão, artigos e entrevistas do autor.

2 comentários:

Pedro disse...

Realmente existem situações como esta!

Celly disse...

òtima resenha, fiquei super interessada em ler, esses dias estava conversando sobre isso com meu filho !!
Parabéns pelo blog !
Um abraço,
Célia