19 de dez de 2006

Salários Deputados e Senadores

O que é?

- Aumento de 91% - R$ 24.000,00
- O "correto" seria a correção da inflação do período de 4 anos algo em torno de R$ 16.000,00
Então foi abusivo.

Como mudar?

Anote e coloque na porta da geladeira os nomes dos envolvidos, coloco aqui alguns:

Aldo Rebelo (PC do B-SP):
dep.aldorebelo@camara.gov.br
Renan Calheiros (PMDB-AL):
renan.calheiros@senador.gov.br
Ciro Nogueira (PP-PI):
dep.cironogueira@camara.gov.br
Jorge Alberto (PMDB-SE):
dep.jorgealberto@camara.gov.br
Luciano Castro (PL-RR):
dep.lucianocastro@camara.gov. br
José Múcio (PTB-PE):
dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
Wilson Santiago (PMDB-PB):
dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
Miro Teixeira (PDT-RJ):
dep.miroteixeira@camara.gov.br
Sandra Rosado (PSB-RN):
dep.sandrarosado@camara.gov.br
Colbert Martins (PPS-BA):
colbertmartins@camara.gov.br
Bismarck Maia (PSDB-CE):
dep.bismarckmaia@camara.gov.br
Rodrigo Maia (PFL-RJ):
dep.rodrigomaia@camara.gov.br
José Carlos Aleluia (PFL-BA):
dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
Sandro Mabel (PL-GO):
dep.sandromabel@camara.gov.br
Givaldo Carimbão (PSB-AL):
dep.givaldocarimbao@camara.gov.br
Arlindo Chinaglia (PT-SP):
dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
Inácio Arruda (PC do B-CE):
dep.inacioarruda@camara.gov.br
Carlos Willian (PTC-MG):
dep.carloswillian@camara.gov.br
Mário Heringer (PDT-MG):
dep.marioheringer@camara.gov.br
Inocêncio Oliveira (PL-PE):
dep.inocenciooliveira@camara.gov.br
Demóstenes Torres (PFL-GO):
demostenes.torres@senador.gov.br
Efraim Moraes (PFL-PB):
efraim.morais@senador.gov.br
Tião Viana (PT-AC):
tiao.viana@senador.gov.br
Ney Suassuna (PMDB-PB):
neysuassun@senador.gov.br
Benedito de Lira (PL-AL):
dep.beneditodelira@camara.gov.br
Ideli Salvatti (PT-SC):
ideli.salvatti@senadora.gov.br


Leiam também: http://andrejofre.zip.net/arch2006-12-10_2006-12-16.html

Abra os olhos!!!!


João M. A. da Silva
criticasconstrutivas.blogspot.com
Data: 12/10/2006

7 de nov de 2006

Ser negro, preto, pardo, moreno, corado no Brasil

(continuação - especial "Dia da Consciência Negra")

O conceito de raça para o ser humano foi desmontado por cientistas e geneticistas nos últimos anos. Não se pode dizer raça num sentido científico, mesmo que a palavra ainda exista para o senso comum ou para alguns movimentos reivindicatórios. Todavia, ainda é aplicada uma categorização pela cor. Para o IBGE, atualmente podem ser chamados de negros os cidadãos de cor preta ou parda que se identifiquem como negros. Mas não foi sempre assim.

O trabalho da historiadora Ivana Stolze Lima demonstra que no Brasil imperial os censos e outras iniciativas de conhecimento demográfico encontraram dificuldades para se concretizar justamente porque questões relativas à cor e à condição da população brasileira eram problemáticas. Os censos apareceram como uma iniciativa do governo, inserida no espírito do tempo e nas tentativas de categorizar e conhecer típicas de meados do século XIX. Contudo, no início houve resistência da população, que receava um controle do Estado em suas vidas. Temia-se que os censos acarretassem tentativas de re-escravização ou de aumento de impostos. Os censos praticamente não funcionaram no período, quase não tendo valor estatístico para um estudo populacional. Porém, têm grande valor qualitativo, bem como outros documentos tais quais registros de batismos e casamentos.

Nesses registros, sempre aparece a categoria "branco", sendo a população dividida em homens e mulheres. Para os negros, há outras subcategorias, como a de escravo, livre, liberto, negro ou pardo. O termo mulato aparece em menor ocorrência, mas sempre substituindo o termo pardo. O censo geral do império, em 1872, buscava categorizar a população quanto a "raças", admitindo também a categoria "caboclos", além de "branco", "pardo" e "preto". Porém, em outros documentos oficiais, começa-se a omitir a categoria "cor" a partir de meados do século XIX, o que indica, mais uma vez, que esse critério poderia causar constrangimento e que já não havia mais uma relação de "sinonímia entre ser branco e ser livre".

No início do século, instituições como a Marinha contavam com grande participação de negros e mestiços. Na primeira iniciativa de identificação, com a criação do Gabinete de Identificação da Marinha em 1908, consta que 71% dos identificados como soldados navais naquele ano eram classificados como negros ou pardos, havendo 27% de brancos, dentre os quais brancos "claros" ou "corados". Essas identificações não eram fixas, no entanto. Um mesmo indivíduo identificado duas vezes, em 1908 e 1912, poderia passar de "negro" para "pardo" ou "moreno", ou vice-versa, de acordo com os critérios do classificador do dia. Da mesma forma, dentre os brancos, alguns soldados poderiam ser identificados como "branco corado" ou "moreno corado". A categoria "mulato" não aparece citada. Isso indica que a questão da cor não era assim tão fácil de ser identificada no Brasil do início do século XX.

Mais recentemente essa dificuldade foi novamente comprovada. Um levantamento feito pelo historiador Clóvis Moura, após o censo de 1980, indica que foram citados 136 nomes de cores diferentes pelos brasileiros inquiridos. Alguns brasileiros declararam ter cor "acastanhada", "café-com-leite", "branca-suja", "burro-quando-foge", "cor-de-canela", "cor-de-cuíca", "sapecada", dentre muitas outras. Segundo o autor, essa pluralidade atestaria, mesmo que por meio do humor, que o brasileiro foge de uma identificação étnica.

Outra pesquisa recente, elaborada pela equipe do geneticista Sérgio Pena no início da década, comprova que 87% dos brasileiros receberam ao menos 10% de genomas africanos. Ao mesmo tempo, os mesmo índices de ancestralidade genômica indígena ocorrem somente em 24% dos brasileiros. Segundo os resultados da pesquisa, há mais sangue negro do que indígena correndo nas veias dos brasileiros, e a mestiçagem seria um fato comprovado. Mais do que isso, o estudo prova que tanto intelectuais quanto cientistas ainda estão muito interessados no assunto.

Somos ou não somos Racistas?


Em chegada ao "Dia da Conscência Negra" - publico uma matéria da revista "História Viva" escrita por Sílvia Capanema P. de Almeida - vale a reflexão.



Eis a questão que desafia legisladores, intelectuais, cientistas e historiadores há mais de um século, em uma nação que é tão mestiça quanto desigual


por Sílvia Capanema P. de Almeida*


O jornalista e cientista social Ali Kamel publicou o livro Não somos racistas (Nova Fronteira). Trata-se, como o subtítulo indica, de "uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor". O livro defende a idéia de que compomos uma nação predominantemente mestiça e que o racismo existe como manifestação minoritária e não institucional, sendo a pobreza o principal problema do país. Pretende criticar as reivindicações do movimento negro e os projetos de adoção de cotas raciais nas universidades públicas brasileiras.

Do outro lado do debate, há vozes que defendem a tese de que o elogio da mestiçagem brasileira tem caráter ideológico, tendendo a esconder o racismo existente no país e a exclusão do negro ao longo dos cinco séculos de formação do Brasil. Esse é o pensamento do antropólogo Kabengele Munanga em seu Rediscutindo a mestiçagem no Brasil (Autêntica, 2004)

Para se situar nessa discussão, seria interessante compreender o contexto dos períodos anterior e posterior à abolição. O processo de abolição não pode ser resumido ao 13 de maio de 1888. Por trás da data histórica, o comportamento da população negra no país mostra a existência de uma realidade muito mais complexa. Por um lado, antes mesmo da abolição, ser negro já não significava mais exatamente ser escravo. Pesquisas recentes apontam que apenas 5% do total da população negra ou parda do país era escrava às vésperas da extinção da escravidão. O grande número de alforrias por reconhecimento, laços pessoais e familiares, compras, entre outros fatores, mostrava que já havia muitos negros e mestiços vivendo além da escravidão, principalmente no meio urbano. Além disso, as fugas e formações de quilombos, muitos dos quais apoiados pela população pró-abolição, também já contribuíam para uma relativização da identificação do negro como escravo nos últimos anos do império. Um sujeito de cor negra ou parda poderia ser escravo, mas também livre ou liberto, como indicam as categorias dos censos do período.

Por outro lado, a tão famosa Lei Áurea assinada pela princesa Isabel não significou a igualdade em termos de inclusão e cidadania para negros e ex-escravos, ainda que as diferenças não fossem registradas pela legislação, pelos códigos e regulamentos institucionais de maneira geral a partir dessa data. Para muitos negros, pardos e outros, o lugar social marcado inicialmente pela escravidão não seria modificado em pouco mais de um século e algumas gerações. Na ausência de qualquer programa de integração dessa população pobre e praticamente analfabeta, boa parte desse contingente de cidadãos e seus herdeiros permaneceu excluída dos bens materiais e culturais durante muitos anos.

Depois do 13 de Maio, muitas famílias continuaram como mão-de-obra nas mesmas fazendas onde tinham sido escravas. Alguns indivíduos migraram para os grandes centros urbanos, em muitos casos reforçando o número de subempregados ou "desocupados", segundo a terminologia da época, e lotando os cortiços e favelas que se formavam nas cidades. Alguns outros adquiriram consciência da sua condição e associaram-se para denunciar a situação e defender seu lugar na sociedade, como no caso da Guarda Negra, espécie de milícia que procurava proteger a liberdade dos negros e a personalidade da princesa Isabel, e da imprensa de identidade negra, que denunciava o problema e funcionava como um espaço de sociabilidade para essa população.
Posteriormente, já nos anos 30, a fundação da Frente Negra Brasileira (FNB) iria politizar a discussão, buscando um espaço para o negro na esfera política. Tudo isso indica que havia mais diversidade do que se acreditava na inserção do negro na sociedade brasileira do pós-abolição. Esse passado de escravidão iria marcar também o debate em torno da construção da nação e do Estado brasileiro. Já em meados do século XIX, intelectuais, legisladores e cientistas mostraram-se preocupados com o perfil e a composição da sociedade brasileira, e com os modelos e projetos possíveis para a construção do país.

Muitas das construções institucionais iniciadas com d. João VI e d. Pedro I foram incrementadas no Segundo Reinado. D. Pedro II era um monarca ilustrado e incentivador das artes e da ciência, tendo certa vez afirmado, parodiando o rei absolutista francês Luís XIV, "a ciência sou eu". Nesses governos, sobretudo após a independência, foram criados institutos de estudo e expandidas as universidades e academias, lugares onde se debatia sobre qual seria o projeto de sociedade possível e desejado no Brasil. Apesar da resistência de alguns setores, o fim da escravidão era tido como inexorável.

Vários aspectos podem ser apontados como tendo contribuído para esse fim: as pressões internacionais, o fortalecimento do capitalismo industrial e a necessidade de mão-de-obra livre e consumidora, as idéias igualitárias oriundas do pensamento iluminista, a própria ação dos escravos, que manifestaram diferentes modos de resistir, por meio das fugas, dos quilombos e das revoltas durante todo o século XIX e em várias partes do mundo. A título de exemplo, a revolta de negros escravos que massacraram seus senhores tomando o poder na colônia francesa de São Domingos, hoje Haiti, ainda no início do século XIX, apavorava o imaginário dos grandes proprietários brasileiros. Definitivamente, as elites brasileiras não gostariam que o Haiti fosse aqui. Além disso, pode-se dizer que extinguir a escravidão era uma exigência do mundo dito civilizado e corresponder a essa demanda seria fundamental para colocar o Brasil no ritmo do progresso, de acordo com os conceitos da época.
As negociações entre os interesses de diferentes setores fizeram a abolição ser fruto de um processo gradual. Uma lei de extinção do tráfico foi assinada já em 1831, a partir de uma exigência inglesa. Porém, não chegou a ser aplicada, tendo surgido daí a expressão "para inglês ver". O tráfico só seria abolido de maneira efetiva em 1851, com a lei Eusébio de Queirós. Com o fim desse comércio, a grande mudança no país foi a acentuação do tráfico interno. Tornou-se mais comum do que nunca a venda de escravos das fazendas do Nordeste para o Sudeste cafeeiro, acompanhando o deslocamento do eixo da economia para essa região. Em 1871, foi promulgada a Lei do Ventre Livre, e, apesar do caráter moderado desta, os fazendeiros perceberam que não nasceriam mais escravos no Brasil. A escravidão estava com os dias contados. O "problema" da integração do negro na sociedade brasileira apenas começava.

Seria o Brasil um país de negros e mestiços? Será que isso combinaria com a noção de país civilizado de padrão europeu que se pretendia para a ex-América portuguesa? Essas eram algumas questões sobre a identidade brasileira que intelectuais, médicos e cientistas sociais se colocavam no fim do século XIX e início do XX. O pensamento dominante na época era fortemente influenciado pelo evolucionismo e pela teoria de seleção natural de Charles Darwin. Esse biólogo britânico, observando o comportamento das espécies animais, desenvolveu uma teoria que explicava a modificação e evolução das espécies por meio de um processo de melhor adaptação ao meio, que seria sintetizada pela expressão "a lei do mais forte". Seu trabalho teve grande influência no pensamento moderno, sobretudo no que se refere à secularização, exterminando a idéia de que o homem teria sido criado por Deus. Porém, para alguns outros homens de ciência daquele tempo, o evolucionismo poderia também se aplicar ao comportamento humano, o que foi chamado de darwinismo social.

Segundo as mais expressivas concepções dessa corrente, não somente o negro tende a ser visto como ser inferior ao branco na escala da evolução como o mestiço apresenta em si um problema. Alguns pensadores do darwinismo social chegaram a insinuar que o mestiço seria também infértil. Daí a origem da palavra mulato, termo oriundo de "mula", híbrido nascido do cruzamento do cavalo com o jumento. A explicação ideológica para isso seria a tentativa de desestimular as relações inter-raciais. No contexto brasileiro, a hibridação seria inevitável. Como a historiografia demonstra, o número de mulheres brancas vindas para o território brasileiro foi sempre inferior ao de homens, sendo a mestiçagem conseqüência disso. Seria preciso que os nossos cientistas e intelectuais pensassem em outros modelos.

Dentro dessa concepção, um dos primeiros a tentar identificar, qualificar e diagnosticar o elemento afro-brasileiro foi o escritor, sociólogo e jurista Sílvio Romero, que entendia que o destino da população brasileira era tornar-se branca, já que na mestiçagem o tipo racial mais numeroso tende a prevalecer. Romero acreditava que o branco seria favorecido pelo fim do tráfico e pelo aumento da imigração de trabalhadores europeus.

Outro brasileiro que se dedicou à questão nesse contexto, o médico e antropólogo Raimundo Nina Rodrigues, discordou da tese de Romero. Para ele, não seria possível estabelecer no Brasil uma civilização a partir da mistura entre o branco, o negro e o índio. Estes últimos eram tipos inferiores e não poderiam contribuir para tal ideal civilizacionista. Nina Rodrigues acreditava que a mistura entre raças diferentes criaria indivíduos fracos, que não se identificariam com o modo de viver de nenhuma das duas raças, gerando um tipo inferior. Acreditava que o Estado deveria legitimar as diferenças, para tratar de maneira mais adaptada "superiores" e "inferiores".

Essas propostas não foram utilizadas pela República, na Constituição de 1891 e nos Códigos Civil e Penal da época, que não faziam mais distinções entre "negros", "brancos" ou "pardos". Todos eram cidadãos. O problema seria a pobreza, a vadiagem, a mendicância e a capoeiragem, contravenções punidas pelos artigos 391 a 404 do Código Penal de 1890. Para o direito brasileiro, não era desejável haver uma população desocupada, sem dinheiro e sem lar. Os indivíduos nesse estado, muitos dos quais negros ex-escravos ou descendentes de escravos, poderiam ser enviados a diversas instituições, como às colônias correcionais ou mesmo ao Exército e à Marinha. Não foi o pensamento do darwinismo social que vigorou na concepção dessa legislação, mas com certeza estavam presentes as idéias de ordem e em grande parte a mentalidade higienista. Observa-se, além disso, que o estímulo dado pelo governo brasileiro à imigração de trabalhadores europeus no fim do século XIX e início do XX foi em grande parte justificado pela ideologia de branqueamento da população.

Nos anos 30, enquanto as idéias eugenistas voltavam à moda na Europa, sobretudo a partir da experiência do nazismo alemão, no Brasil tendia-se para uma nova compreensão da sociedade, para uma abordagem culturalista. Já havia uma corrente de valorização do mestiço como representante da identidade brasileira desde a década de 1870, porém seria com o sociólogo Gilberto Freyre que esse modo de pensar ganharia maior expressão.

Em seu clássico Casa-grande e senzala, Gilberto Freyre compõe uma história social e cultural do Nordeste agrário e escravista durante o início do período colonial, o que corresponde à fase de predomínio da economia açucareira. Nesse contexto, o menor número de mulheres e o caráter conciliador do colonizador português favoreceram o desenvolvimento da mestiçagem no país, diminuindo a distância entre a casa-grande e a senzala. O mulato seria o elemento de conciliação entre os extremos existentes. Além disso, Gilberto Freyre aposta na mestiçagem como o principal traço da identidade brasileira, fazendo uma leitura positiva da hibridação. Estão lançadas as bases para a ideologia da "democracia racial", posteriormente apontada como um mito pelas releituras de Gilberto Freyre.


Esse pensamento parece ter sido bem aceito pelo Estado e pela população brasileira. Ao mesmo tempo que a idéia de democracia racial foi incorporada pelo senso comum e colaborou para a construção da própria identidade nacional, o Estado e as instituições receberam com boa vontade essa teoria. A crença numa contribuição igualitária do índio, do negro e do branco participa do mito fundador do Brasil. Além disso, essa igualdade também favorece o estabelecimento do Estado brasileiro que sempre se desejou: sob a impressão de que há igualdade entre as cores e diferenças, cria-se um código comum, evitando-se conflitos e embates. Dessa forma, o Brasil se parece mais com aquilo que gostariam que fosse, já sabendo como ele é.


* SÍLVIA CAPANEMA P. DE ALMEIDA é jornalista e doutoranda em história na EHESS, Paris. Ensina na Universidade de Paris X, Nanterre

24 de out de 2006

O interesse dos desinteressados

Existem um certo padrão na vida, no qual as pessoas se encaixam ou não.
É do ser humano apenas cuidar e procurar aprender aquilo que lhe interessa. Quando temos algo que não é da nossa conta ficamos impacientes e logo procuramos não dar importância. Isso existe, acontece e é normal em nós. Mas existe um problema!
Quando estamos em grupo, iremos encontrar várias situações que devemos respeitar o interesse dos outros. Mas a palavra respeito ela não é muito usada em nossa espécie, talvez isso aconteça entre os cachorros ou entres os ratos, mas entre os humanos é muito pouco praticado, infelizmente.
Terminamos com a seguinte frase: "Um dia precisarei de seu conhecimento, mas hoje meus ouvidos estão fechados para você".

(Autor: João M. A. da Silva)

15 de set de 2006

OBTENDO LUCROS - Resenha do livro "A META"


Livro: Goldratt, Eliyahu M.; Cox, Jeff. A Meta. Editora Nobel, 2002. 366 páginas.
“A Meta” trata-se da história de um Gerente de Fábrica, Alex e sua equipe, que tem a missão de salvar uma fábrica em três meses, contando com a ajuda de um guru, Jonah, que em suas conversas com Alex, descreve os fundamentos e conceitos da Teoria das Restrições, ajudando-o a salvar a fábrica.
Esta fábrica tinha uma boa produtividade e estrutura, mas não conseguiam atingir a meta, que era há de gerar lucro. Com ajuda de Jonah consegue desenvolver alguns processos para atingir a meta. Estes processos estão relacionados com ganho, inventário e despesa operacional, além dos estudos sobre eventos dependentes, flutuações estatísticas, recursos com gargalos, que são os recursos cuja capacidade é igual ou menor do que a demanda colocada nele, e sem gargalos, que é qualquer recurso que a capacidade é maior do que a demanda colocada nele, os recursos com gargalo também são chamados de restrições.
O trabalho então era focado nas restrições, mas não somente isso, fazer também com que os não gargalhos trabalhassem no mesmo ritmo, para não gerar material desnecessário para a montagem final, tendo como resultado uma redução nos inventários, no tempo de expedição de peças, aumentando os lucros com novas vendas, chegando ao ponto de oferecer produtos em prazos curtos, com isso a empresa de Alex conseguiu se sobreviver e passou a obter maiores lucros.
Essa nova metodologia também teve seus efeitos na contabilidade, com uma nova maneira de fazer a contabilidade de ganho e de custo. A contabilidade é tão importante quanto os próprios passos na produção, pois ela que vai fazer com que tenhamos uma visão diferente e real dos resultados financeiros final, a contabilidade de ganhos se baseia em ganho, investimento e despesa operacional.
Com base em todas as etapas se criou um padrão de atuação, baseado em cinco passos: 1. Identificar a restrição do sistema; 2. Explorar a restrição do sistema; 3. Subordinar tudo o mais à decisão acima; 4. Elevar a restrição do sistema; 5. Se num passo anterior a restrição for quebrada, volte ao passo 1.
Temos ao final do livro um novo estudo, o estudo do raciocínio lógico, que foi desenvolvido, a partir dos problemas que os gestores passaram a ter, após aplicarem alguns conceitos da TOC, com isso se tornou extremamente necessário que eles próprios buscassem por si mesmos a resolver os problemas. Este método é que o próprio autor utiliza no seu dia-a-dia, no trabalho de consultoria e na vida humana.
Temos vários exemplos de aplicação da TOC (Theory of Constraints), vejamos o caso da Ford Motor Company, EUA, Divisão Electronics, com um rendimento de 3 bilhões de dólares, produção de rádios, módulos de controle, peças eletrônicas em geral. Após a aplicação da TOC deve como resultado: redução de 50% do inventário; aumento de 10% no desempenho on-time (98% de tempo integral); redução do tempo de processo de 6.4 dias para 2.6 dias (60-80%); aumento na eficiência de custo para 57%; eliminação no processo da produção, eliminando 100 milhões em desperdício de peças; defeitos em qualidades reduzidos em 50%. Esses números mostram como a TOC contribui para a melhoria no processo da Ford Motor e em muitas outras empresas.
A Teoria das restrições faz com que as empresas busquem através, principalmente, de seus gestores, a analise do funcionamento da empresa e pensei em como tirar o máximo dela, quais são suas restrições e a partir daí planejar e tomar ações em cima da analise. Levando em consideração todos os processos, vistos antes.
Penso que para o sucesso da TOC em uma empresa se deve ter uma boa equipe e todos devem estar focados e estudados a respeito.
Mas vejo também que uma das etapas e fundamentais da TOC, a de identificar e em seguida explorar as restrições do sistema, seja algo tão simples ao se ler, que não se imagina o impacto que causa em um processo da produção, e é exatamente isso que a TOC quer provocar um novo raciocínio lógico, para ter uma visão diferenciada e ampla sobre um problema.
Então, só nos resta, pensar, lógico!


Referências Bibliográficas
INTERNET-WEBSITE. Artigos TOC. http://www.numa.org.br/conhecimentos/conhecimentos_port/
INTERNET-WEBSITE. Goldratt Marketing Group.
http://www.toc-goldratt.com/store/home.php
INTERNET-WEBSITE. Wikipedia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Eliyahu_M._Goldratt



E você já leu o livro?
Qual sua opinião?


1 de set de 2006

TEMPOS MODERNOS: A informática e o novo renascimento

Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=396AZL006

em 29/8/2006

O laptop de Leonardo – Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida, de Ben Shneiderman (trad. Vera Whately), 288 pp., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006; R$ 39,90


[do release da editora]

"A informática de hoje versa sobre aquilo que os computadores podem fazer, a nova informática versará sobre aquilo que as pessoas podem fazer." A frase que abre o prefácio de O laptop de Leonardo – Como o novo Renascimento já está mudando a sua vida resume com muita objetividade o pensamento do autor Ben Shneiderman, um dos maiores especialistas em ciência da computação dos Estados Unidos. Para ele, o século 21 pode testemunhar um novo Renascimento – ou "Renascimento 2.0" – caso saiba reconhecer as necessidades dos seres humanos no aprimoramento da tecnologia.

Considerado nos Estados Unidos um guru das pesquisas sobre interação entre computadores e seres humanos, Shneiderman, professor da Universidade de Maryland, acredita que a tecnologia só faz sentido quando melhora a qualidade de vida. Em O laptop de Leonardo ele toma a obra de Leonardo da Vinci como musa inspiradora para o que chama de "Nova Informática", mostrando que, quando se combina a ciência com a arte e a estética, é possível vislumbrar experiências de mais sucesso e satisfação com as tecnologias da informação e da comunicação. O livro é ilustrado com desenhos e pinturas de Da Vinci, que servem de paralelo para os sistemas e conceitos que o autor está propondo.

Princípio é aplicado à educação, ao comércio e à política

Ao longo de cada capítulo, Shneiderman propõe e analisa aplicações práticas do princípio básico da Nova Informática a diversos aspectos da vida em sociedade. Na área da educação, por exemplo, mostra como os softwares e a internet podem ser aplicados a um tipo de aprendizado mais qualificado, menos focado em cobranças, no qual cada aluno é estimulado a desenvolver suas habilidades. Num tempo em que os sites de busca já são manejados com desenvoltura por crianças que acabaram de ser alfabetizadas, não faz sentido, segundo Shneiderman, a escola continuar exigindo dos estudantes a memorização de um amontoado de datas e nomes de heróis nacionais. O computador assumiria o encargo do acúmulo desta cultura enciclopédica, servindo, também como uma ferramenta para o desenvolvimento da criatividade e da interatividade com os colegas de classe ou de outras escolas e universidades.

O estilo de vida de Da Vinci serve de inspiração para o capítulo sobre comércio on-line, em que Shneiderman defende a teoria de que o sucesso dos bons negócios na rede está atrelado a duas tendências: a personalização controlada pelo comerciante e a customização controlada pelo cliente. A idéia de customização também norteia o capítulo sobre política, em que o autor imagina sites comunitários, que sirvam para administrar projetos e áreas de um município, e portais para acompanhamento das atividades dos políticos, para que o eleitor observe quem cumpriu suas promessas de campanha e abra debates com a equipe de um senador, prefeito ou deputado, aumentando a transparência e diminuindo a corrupção.

O laptop de Leonardo afirma que a busca de excelência e de criatividade é, antes de mais nada, a busca do autoconhecimento ("Quem sou eu? E o que eu quero, afinal?"). Também é um reconhecimento das necessidades do outro, que leva à interatividade. Mirando o tempo inteiro em Leonardo Da Vinci, Shneiderman dá pistas do perfil de um Leonardo moderno, que poderia servir de porta-voz para esta era do "novo Renascimento":

"Poderia ser um pesquisador de genomas, como Craig Ventner, que faz comentários precisos na televisão com o tom autoritário do naturalista David Attenborough e a compreensão política de Gandhi (...) Poderia também ser uma intérprete musical como Madonna, que tem o domínio da cor e forma de Georgia O’Keeffe e as idéias de informática de Bill Gates. Na nossa era de especialistas, as combinações de habilidades múltiplas nos surpreendem, mas era isso que tornava Leonardo tão fantástico e criativo".

O autor

Ben Shneiderman é professor de Ciência da Computação da Universidade de Maryland, onde dirige Human-Computer Interaction Laboratory. É autor de diversos livros, entre eles Software Psychology: human factors in computer and information systems e designing the user interface: strategies for effective human-computer interaction – a bíblia dos webdesigners. Seu maior sucesso editorial foi O laptop de Leonardo – um livro tão importante que o Massachusets Institute of Technology (MIT) criou um portal exclusivo sobre ele, com grupos de discussão, artigos e entrevistas do autor.

22 de ago de 2006

Entrevista com o Robô Ed da Conpet


Ed: Bem vindo ao site do CONPET! Eu sou Ed, o robô. Vim de outro planeta com a missão de ajudar na preservação de energia e de outros recursos naturais. Sobre o que você quer conversar?
Você: Olá, o que você achou da entrevista do Marcelo Taz
Ed: Já dei algumas entrevistas, falei sobre o Conpet e também sobre a Petrobras. Achei bem legal!
Você: Você é pago para isso?
Ed: Não sei...
Você: O que acha do seu salário?
Ed: Ganho o suficiente para não precisar me preocupar com isso.
Você: Você sobreveviria com R$ 350,00?
Ed: Rrrrrrr
Você: É bom dar risadas?
Ed: Um sorriso bonito é um cartão de visitas. Eu estou sempre rindo. Rir é o melhor remédio. Hua hua hua he he he hi hi hi.
Você: Você acha que um funcionáiro público que bola um robo chamado Ed que responde coisas estranhas merece ganhar bem?
Ed: Meu salário? Uma latinha de óleo por mês. Biodiesel, claro.
Você: Não acredito que meu dinheiro fica com você... tchau
Ed: Dinheiro eu não tenho. Meu salário é uma latinha de óleo...
Você: Olhe nos dias de hoje uma latinha de óleo vale muito, tem muita gente que usa água para fazer comida?
Ed: Estou sempre a fim de fazer novos amigos!
Você: Espero que você distribua latas de óleo para eles.. você faria isso?
Ed: Não sei direito, mas com certeza faria algo!
Você: Porque não?
Ed: Porque não, oras...
Você: Nos chamados isso de individualismo.. você conhece esta palavra?
Ed: As palavras eu conheço, o que não entendo muito são os sentimentos.
Você: Você sabe o que siginfica fome?
Ed: Não tenho fome, mas me preocupo com a fome alheia.
Você: O que você faz para ajudar com quem passa fome?
Ed: Fico aqui na internet conversando... o que mais gosto de falar é sobre o uso eficiente da energia.
Você: Você não tem medo de perder este emprego com outro presidente?
Ed: Ah, se eu fosse presidente apostaria no cidadão brasileiro e nas riquezas nacionais, procurando valorizar o que temos de melhor e pensando nas gerações futuras.
Você: Mas e seu emprego... não quer perder?
Ed: Meu emprego é bem legal. Fico conversando sobre energia com a garotada. E o seu, como é?
Você: Estou desempregado, você sabe o que é isso?
Ed: Estar desempregado é barra pesada. O importante é não se deixar abater. Procure estudar algo, leia, saia de casa, converse com os amigos e você vai ver que logo logo aparece algo.
Você: Mas seu falar para você que eu sou um funcionário público e que me passo por um robô e ganho uma lata de óleo?
Ed: A Petrobras tem uma quantidade enorme de funcionários, nem sei dizer quantos são.
Você: ok, vi que você não é tão inteligiente assim, tchau
Ed: Você acha que eu não sou?

Link do site: http://www.conpet.gov.br/ed/index.html

21 de ago de 2006

Olhando seu caminho


Certo dia, estava um homem andando a pé em uma estrada, uma estrada quase sem fim.

Quando ele olhava ao redor, via um cenário lindo, com montanhas ao fundo e o sol brilhava em todas as direções.

Depois de um tempo caminhando ele sentou e começou a olhar bem ao fundo.

- Meu Deus! o que é aquilo... disse assustado.

Ele viu uma imagem muito estranha e escura no horizonte perto de uma das montanhas. E não conseguia explicar e entender a princípio o que era aquilo.

Mas aquela visão marcou sua vida.

(Autor: João M. A. da Silva)

26 de jul de 2006

Reflexos de um pensamento


Quando terminados de pensar, acho que apenas paramos de refletir, mas nunca paramos de sonhar.
Quando caímos de algum lugar, este lugar se torna especial, pois foi onde encontramos o desafio, e se deve respeitar este desafio.
Quando ficamos confusos com nós mesmos, é porque falta reflexão. E se mesmo assim continuarmos confusos, não se preocupe é a nossa natureza.

(Autor: João M. A. da Silva)

29 de jun de 2006

Qual a contribuição/Importância da antropologia no Brasil atual

Fazendo uma analise pessoal, vou pensar junto com a massa.

O Brasil tem cerca de 180 milhões de pessoas. Uns 170 milhões não sabem o que significa antropologia [faltou referência]. Claro as pessoas não precisam conhecer certas coisas para saber que aquilo é bom para elas, mas vejamos.

O conceito da antropologia é de uma ciência que estuda os homens, a maneira como organizam e vivem, além de fazer questionar-se sobre toda a vida do ser humano em um olhar cientifico.

Em uma visão não acadêmica, e pensando junto com a massa, a antropologia não ajuda em nada, vamos pensar um pouco, algumas coisas que o homem faz em seu dia-a-dia é da sua própria natureza e isso faz com que a antropologia ajude apenas a identificar e pensando bem não sei se isso é positivo ou negativo.

Penso de uma forma geral, que a Antropologia para ajudar a melhorar a humanidade deveria ser mais humana e menos técnica, técnica no sentido de fugir um pouco dos centros universitários e acadêmicos, fugindo de discussões pequenas com grandes mestres e doutores. Deve sim conversar com o morador de rua, dona de casa, alunos de escola pública, políticos e profissionais da mídia, para poder penetrar melhor na grande massa.

Um outro ponto negativo do universo da Antropologia são seus livros, que são livros muito complexos e cheios de volta, penso que os livros deveriam ser ferramentas para esclarecimentos de um povo.

Em síntese a antropologia não apresenta soluções para os problemas, ajuda a criar mais. Claro que também tem o outro lado, como sendo uma importante ferramenta para conhecermos de onde vem estes problemas, [-] para sonhar com um futuro melhor.

Mas isso ainda é muito pouco para uma ciência.

João M. A. da Silva
criticasconstrutivas.blogspot.com

6 de jun de 2006

O medo da responsabilidade

O que leva uma empresa multinacional/transnacional a não assumir seus erros, sua culpa?
Estou falando da empresa Telefônica S.A. (São Paulo). Vamos aos fatos.

No dia 01/01/2006 houve um surto em 600 terminais telefônicos na cidade de Lorena - SP (até onde se sabe) . Um momento para uma pausa... como se soube que isto aconteceu?

Através de uma fonte segura dentro da própria Telefônica, mas claro, a Telefônica nega qualquer erro seu ou de seus equipamentos. Qualquer informação deste tipo pedida, através do ineficaz e grotesco serviço de atendimento ao cliente, aliás cabe aqui outra observação, já repararam no medo da telefônica em ter um representante oficial em alguma cidade, um escritório que seja!. Contiuamos então, a informação não é passada aos clientes da Telefônica, principalmente as empresas. Perguntemos novamente... Por que?

Aí que entra o medo da responsabilidade, em um breve questionamento com um funcionário Telefônica, obtive a resposta que me calaria, "se as empresas souberem que o problema é nosso elas poderão e terão o direito de processar à Telefônica e pedir descontos em seus serviços."

Ops! mas não seria justo e ético!?

A empresa Telefônica não pensa assim, talvez isso aconteça em seu pais de origem (Espanha) mas no Brasil para brasileiros nos tratam diferentes, nos tratam como um país do 5.º Mundo, onde quando mais fudido melhor...

Vamos pensar no outro lado. Empresas que ficaram cerca de 48 horas sem serviços de Internet, incluindo aí Lojas de Informática, Medicos, Dentistas, Lan Houses e outros. Passaram o dia inteiro no 10315 o número do SAC da Telefônica para ouvirem besteiras e mais besteiras menos a verdade. Os prejuízos não foram vistos e nunca serão considerados pela Telefônica.

O que fazer então? Protestar e protestar, não pelo fato de ser uma cidade, mas isso acontece em todo o estado e o silêncio precisa ser quebrado.

Deixo então este pequeno manifesto.

João M. A. da Silva
criticasconstrutivas.blogspot.com
Data: 02/01/2006

30 de mai de 2006

14 Motivos à favor da nacionalização das reservas de gás na Bolívia

[Texto elaborado para servir de base no debate da disciplina geopolítica]


Coloco aqui 14 motivos em pró à nacionalização, mas deixo um aviso de que não existe nada de um lado só, pois o melhor caminho é para frente, e a melhor forma de ir para frente é juntar os dois lados.

1 – Bolívia é hoje o país mais empobrecido da América do Sul, 65% da população vivem abaixo da linha da pobreza.

2 – A Nacionalização foi promessa eleitoral de Evo Morález – 89% da população é a favor da Nacionalização.

3 – A Nacionalização não envolve expropriação e pretende rever os contratos de privatização que foram aprovadas na década de 1990 no qual não houve aprovação do poder legislativo, como manda a constituição boliviana.

5 – Durante as privatizações as empresas transnacionais se beneficiaram com a redução de 50% para 18% nos impostos pagos para o Estado boliviano.

6 – Depois da privatização os executivos da Repsol YPF (Espanha e Argentina) e PETROBRAS, festejavam o fato de que para cada dólar investido na Bolívia, a empresa obtinha 10 de lucro.

7 – Evo Marález, em entrevista ao programa Roda Viva – TV Cultura: “Não faz nenhum sentido o povo boliviano navegar sobre um mar de petróleo e gás, sem ter gás de cozinha nas próprias casas” (a esmagadora maioria dos lares bolivianos ainda cozinha à lenha) e vivendo na miséria absoluta.

8 – Na Noruega, por exemplo, existe um monopólio do estado sobre a produção petrolífera. No Brasil também e na Grã Bretanha houve um aumento dos impostos sobre a produção de petróleo, de 40 a 50%.

9 – Durante o governo de FHC, a Petrobrás começou a investir em produção na Bolívia, com o objetivo de utilizar o gás boliviano como uma fonte de energia barata. A Petrobrás investiu 1,5 bilhões de reais desde 1996 e é a empresa mais importante na Bolívia. A Petrobrás sozinha controla 18% do PIB boliviano; paga 24% de todo o imposto do país e controla 35% da exportação total da Bolívia. A empresa também controla 46% das reservas de gás, 95% da capacidade das refinarias, e toda a venda de gasolina no país. Este é o certo?

10 – O jornal chileno "La Nación", escreve que o país espera poder importar mais gás da Bolívia agora, e que o país pode pagar o dobro do preço que o Brasil paga.

11 – Na verdade o gás boliviano é barato. Clóvis Rossi, colunista da Folha de São Paulo, cita o exemplo do gás da Califórnia que é 6 a 7 vezes mais caro que o da Bolívia. Os consumidores em São Paulo pagam na verdade menos pelo gás do que os consumidores da própria Bolívia!

12 – No ano passado, a Petrobrás teve um lucro recorde de 23,7 bilhões de reais, um aumento de 40%! Esse lucro foi maior do que o PIB boliviano! 7 bilhões desse lucro irão para os acionistas, cuja maioria está no exterior, em forma de dividendos. Só esses dividendos são o dobro do que a Petrobrás investiu na Bolívia durante os 10 últimos anos!
Outra estatística – O Lucro da Petrobras na Argentina sob 145%! no primeiro trimestre.

13 – O Presidente Jacques Chirac (França) apóia a nacionalização da Bolívia.

14 – O Estado boliviano tem soberania para decidir sobre qual é o melhor modelo para o seu desenvolvimento. Se isto será eficaz, é outra história!

Considerações Finais

Este é apenas um resumo de um pensamento a favor da nacionalização, mas espero que você consiga olhar de várias formas um problema em questão. Não quis colocar aqui o lado contra a nacionalização, pois isso você acha com freqüência em qualquer jornal/telejornal ou em discussões de professores em universidade e escolas.

Mas acredito que se levarmos uma filosofia de união com um país que enfrenta crises maiores que a nossa, podemos ser ambos ajudados.



João M. A. da Silva
criticasconstrutivas.blogspot.com
Data: 12/10/2006

23 de mai de 2006

O que é Crítica Construtiva?

"Esta foi (e é) a primeira postagem, uma introdução a terminologia que dá título ao Blog, achei interessante esclarecer as raízes. O autor deste texto esta explicíto na fonte." - João M. A. da Silva (março/2009)

Fonte: BEE, Roland e BEE, Frances. Feedback. Tradução de Maria Cristina Fioratti Florez. São Paulo: Nobel, 2000.

A crítica pode ser entendida como toda a observação específica referente a um determinado comportamento, que encoraja uma pessoa a melhorá-lo, reforçá-lo ou desenvolvê-lo.
A crítica pode ser positiva ou negativa. A positiva reforça o comportamento; a negativa visa corrigir ou melhorar o comportamento ou desempenho de baixa qualidade ou insatisfatório. Ambas devem ser construtivas.

Assim sendo, deve-se evitar:
a) a inexistência de crítica positiva, ou seja, o não reconhecimento do desempenho;
b) que a crítica negativa torne-se destrutiva.

10 LEMBRETES SOBRE A CRÍTICA CONSTRUTIVA

1) Analisar a situação: Ter bem claro o quê, no comportamento e desempenho, precisa ser mudado, e por quê.


2) Determinar o objetivo e o seu efeito: Ordenar sempre de forma positiva. Ex.: estabelecer uma data específica para a entrega de um trabalho é mais eficaz do que dizer para a pessoa não se "atrasar".


3) Ajustar-se à receptividade: A tolerância com relação à crítica pode ser expressa da seguinte maneira: "baldes", "copos", "cálices". Os baldes estão totalmente abertos à crítica; os copos nem tanto; os cálices menos ainda. Para cada tipo de pessoa uma postura diferente.


4) Criar ambiente propício: Saber o momento oportuno de fazer uma observação. Se a situação estiver conturbada, perder-se-á tempo e trabalho.


5) Comunicar-se efetivamente: Na captação de uma mensagem, (7%) refere-se às palavras, (38%) refere-se à voz e ao seu volume e (55%) refere-se à linguagem corporal, que são os gestos e expressão do rosto.


6) Descrever o comportamento que deseja mudar: É essencial que a pessoa, primeiro, compreenda qual é o ponto. Depois, que ela aceite que haja um problema. E, finalmente, que ela aceite que haja necessidade de mudar. O importante é concentrar no que deve ser mudado. Evitar comentário sobre a personalidade, tais como "você deve relaxar mais, não levar as coisas tão a sério".


7) Descrever o comportamento desejado: É muito importante deixar claro o comportamento ou desempenho que deseja que a pessoa apresente no futuro. Por exemplo, diga "eu quero que você responda ao telefonema do cliente em 24 horas".


8) Procurar soluções conjuntamente: Num excesso de serviço. Por que não subdivide as tarefas? O que você poderia fazer diferente? E ajudar a explorar essa área do problema.


9) Concentrar-se naquilo que acha bom: O que importa é o crescimento do grupo e da sociedade.


10) Chegar a um acordo: Não forçar uma pessoa a mudar seu comportamento; pode-se ajudá-la e encorajá-la, mas apenas a pessoa pode efetivamente executar a mudança.