15 de jun de 2017

O Tempo (II)

Há quase dez anos atrás ou se preferir no dia 20 de novembro de 2007, postava aqui no Críticas uma breve reflexão sobre "O Tempo" (releia aqui).

E como ele passa rápido! É uma afirmação que insisto em contradizer.

E de dez anos para cá o que falar sobre ele?

Incrível como a sensação é de que ele encurtou, talvez não seja mais um amigo, pois percebe-se que ele anda sempre a sua frente e pouco ao seu lado e amigo não faz estas coisas.

É certo também que de dez anos para cá, gastamos nosso precioso tempo em coisas menos nobres, ou você acredita que ver 'memes', 'fake news' ou 'inútil news', espalhar ódio politico entre coxinhas e mortadelas e pior, replicar tudo isso para outras pessoas, é de fato importante ou engrandecedor?

Para aliviar compartilho aqui neste horizonte, ora perto ora longe, mas, sempre à vista, Mario Quintana (mais sobre ele aqui) com uma deliciosa nota de motivação.

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O Tempo por Mario Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.




João M. A. da Silva
Data: 15/06/2016
Hora: 23h24
Momento: Tempo, tempo, tempo...
criticasconstrutivas.blogspot.com

18 de mai de 2017

Goodbye Chris Cornell

Chris Cornell (Seattle, 20 de julho de 1964 - Detroit, 17 de maio de 2017 - mais aqui)






João M. A. da Silva
Data: 18/07/2016
Hora: -
Momento: Grunge
criticasconstrutivas.blogspot.com

7 de dez de 2016

Para que serve a Lava Jato?

Até que enfim a resposta!

Nas fotos abaixo, em clima afável, com sorrisos e conversa ao pé do ouvido, Moro, o herói e Aécio, o multi delatado, curtem o momento na premiação da revista IstoÉ (mais aqui). Na fileira debaixo o nosso presidente interino, que há exato um ano escrevia sua carta a Dilma (mais aqui) apenas cinco dias depois do hoje encarcerado Eduardo Cunha apertar o botão vermelho (aqui). Ao seu lado possível candidato tucano para 2018.

Bem, o Brasil é isso aí, bem democrático e com imensa participação popular em suas mais variadas classes sociais e que participa ativamente nas mais importantes decisões do país, e ainda, é um povo tão forte que não sofre nenhum tipo de manipulação, pois é dotado de inteligência cidadã e senso crítico.


Foto credito: Diego Padgurschi /Folhapress
Sergio Moro e Aécio Neves
Foto credito: Brazil Photo Press / Folhapress

Em tempo: "Aos amigos os favores, aos inimigos a lei." - Maquiavel


João M. A. da Silva
Data: 07/12/2016
Hora: 11h25
Atualizado: 16h

Momento: Quase férias
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26 de set de 2016

O lixo


 por Luis Fernando Veríssimo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?


João M. A. da Silva
Data: 26/09/2016
Hora: 17h30
Momento: Poesia
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27 de jun de 2016

Sabedoria paterna

"A vida é como um jogo de damas, a gente vai jogando, ora ganhando ora empatando e um dia perderemos" - Aloisio Alves da Silva (82 anos e jogando...)



João M. A. da Silva
Data: 27/06/2016
Hora: 10h

Momento: Jogo da vida
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18 de abr de 2016

O que foi aquilo?

Após acompanhar ontem (17/4) a votação do impeachment na câmara dos deputados (mais aqui), destaco alguns pontos:

- Os nossos ilustres deputados não tinham muito a percepção do que estava em jogo e a justificativa, "pela minha família", "meu pai", "minha esposa", "minha neta", "irmão", é absurda, só faltaram pedir um beijo para a Xuxa. Outros argumentos como "por uma estrada melhor", "mais empregos", "segurança", poucos citaram as pedaladas fiscais e decretos, reforçam o abismo de conhecimento político sobre as responsabilidades de um presidente, macro e microeconomia e outros assuntos básicos de sociologia e respeito a democracia.

- O Cunha é um sociopata, impossível ouvir tudo aquilo e não sentir sua honra ofendida, claro que talvez já não há tenha, mas...

- Acho que brotou em nós a consciência de como é importante saber votar, principalmente em deputados.

- Existe uma resposta na psicologia para definir o voto em bando, a pressão daquele circulo ao redor do microfone, a sensação de ir com a maioria (fuga) é tudo um cenário complexo de se analisar, o problema é o efeito ressaca depois. Uma analogia pode ser feita com as brigas em estádio de futebol, ninguém em sã consciência violentaria outra pessoa, no bando este sentimento muda, onde é possível encontrar até seu vizinho mais calmo sendo flagrado em atos animalescos.

- Tática espetacular do Eduardo Cunha, começar pelos estados com menos afinidades do governo, deixando o nordeste para o final, assim os indecisos acompanhavam a maioria.

O nosso futuro vice-presidente é o Cunha, não precisa falar muita coisa, ou seja: deixa rolar.



João M. A. da Silva
Data: 18/4/2016
Hora: 22h20
Momento: A esperança entre o sujo e o mal lavado
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